O ajuste cambial devolveu à agricultura um tratamento justo; o setor vai crescer e alavancar outras atividades. As perspectivas, agora, são as melhores possíveis, com o preço da soja podendo chegar a R$ 18,00/saca.
O comentário é do presidente do Sindicato Rural de Londrina, engenheiro agrônomo Edison Mazei Ponti. Ele lembra que todas as reivindicações e propostas feitas ao governo, nos últimos anos, para melhorar a agricultura mostravam que tais ações tinham que passar pela mudança do câmbio. Agora, o quadro macroeconômico já não é adverso, é plenamente favorável, e, partindo desse quadro, vamos tratar de outras questões pontuais do interesse da produção, que são muitas.
Mas, o presidente do Sindicato Rural faz uma ressalva: este otimismo parte da premissa de que o dólar se manterá no atual patamar e que o mercado acredite na seriedade do Brasil. ‘‘O mercado internacional tem que acreditar que as reformas que estão no Congresso serão feitas e que não parem aí. E os políticos têm que ser pressionados internamente neste sentido. Fora deste cenário - isto é, sem o voto de confiança nas medidas de governo que sustentem
este quadro, corremos o risco de virar uma Rússia’’, alertou.
Ponti participa hoje, em Curitiba, de uma Assembléia da Faep, que vai discutir, entre outras questões, estratégias para pressionar o governo e o Congresso em direção às reformas fiscal e administrativa e medidas complementares ao ajuste.
A comunidade financeira e o mercado já deram uma boa chance ao Brasil, observa Ponti. Tudo poderia ter implodido quando da liberação da banda, na quarta-feira.
A imagem do País lá fora é de que as coisas aqui não são levadas a sério. É preciso que, neste momento, as bolsas pensem diferente. O presidente do Sindicato Rural passou o dia acompanhando o comportamento do dólar e conversando com especialistas e outras lideranças.
Lucro na soja e café Se o câmbio se acalmar mantendo o dólar no atual nível, a agricultura poderá contar com preços remuneradores. Com o câmbio engessado, o prejuízo do setor desde a implantação do Plano Real, em 1994, foi muito grande. Perdeu-se R$ 3,00 por saca de soja; cerca de R$ 30,00 por saca de café e R$ 6,00 por arroba de carne bovina.
Nas condições atuais, a agricultura volta a ser viável, vai produzir alimentos e garantir abastecimento além de criar excedentes para exportação, tão necessária. Mas, ressalva, tudo parte da premissa que vamos ter um governo com atitudes sérias. Mudando a imagem de que o País não é confiável. O mercado, infelizmente, ainda não tem dados suficientes para pensar assim.
As reformas necessárias a que se refere o presidente do Sindicato Rural são, de imediato, a reforma fiscal e administrativa. Mas, para viabilizar a economia, ele observa que serão necessárias reformas trabalhistas, do Judiciário, e política. Aí sim, com o País governavel a economia pode entrar num surto de desenvolvimento. Isto pode acontecer a partir da virada do século. Seria genial o Brasil entrando no novo milênio com bases econômicas, financeiras e sociais para um grande surto de crescimento e distribuição de renda. Cabe à agricultura o papel de reativar outros setores; ela dá respostas mais rápidas às medidas que permitam o bom funcionamento do mercado. O fim do dólar superficial é uma dessas medidas.
Hortigranjeiros O presidente da Associação dos Produtores de Legumes do Norte do Paraná, João Neto, disse ontem que a preocupação do setor é com a volta da inflação, uma vez que produtores e intermediários trabalham com margem de lucro bem ajustada. Além disso, o setor pode sofrer com a queda no consumo, em caso de inflação. Ele disse que o grande beneficiado é o setor agrícola, produtor de grãos, que tem um custo calculado em reais e vai comercializar em dólar ajustado.ArquivoPonti: Otimismo é justificável mas esbarra na crise de credibilidadeOswaldo Petrin

mockup