Agricultura trava negociações da Alca
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quinta-feira, 31 de outubro de 2002
Agência Estado 
Quito O representante dos Estados Unidos para o Comércio, Robert Zoellick, conseguiu ontem aumentar o impasse na Área de Livre Comércio das Américas (Alca) entre as posições de seu país e as do Mercosul. Ao se mostrar inflexível na prioridade americana de negociar o tema agrícola de forma mais ampla somente na Organização Mundial do Comércio (OMC), Zoellick defrontou-se com a decisão irredutível dos ministros dos países do Mercosul de conseguir avanços nessa mesma questão na Alca.
Durante entrevista à imprensa, Zoellick chegou a travar um diplomático ''bate-boca'' com o ministro das Relações da Argentina, Carlos Ruckauf, sobre as divergências nesse ponto. Entretanto, o representante americano insinuou a possibilidade de, no acerto final da Alca, a questão agrícola valer como moeda de barganha para os interesses americanos, focados na abertura dos mercados do setor de serviços e em compras governamentais.
''A Alca é um caminho a transitar. Mas, como ocorreu na (integração) da Europa, deve prosseguir sem tirar nada da mesa de negociação. Essa é uma mensagem direta à delegação dos Estados Unidos em relação à Farm Bill e à questão agropecuária na Alca'', afirmou Ruckauf, referindo-se à política americana de subsídios, que envolve benefícios anuais de US$ 19 bilhões ao setor agrícola.
''Com todo prazer, estaríamos dispostos a eliminar os subsídios agrícolas (no comércio) no Hemisfério Ocidental. Mas tenho de ter certeza de que a União Européia tampouco estará se valendo de subsídios e preciso avaliar como os subsídios domésticos afetam o comércio. O desafio será saber como lidar com essa questão na Alca'', rebateu, em seguida, Zoellick.
O impasse gira em torno do ritmo das negociações sobre agricultura na Alca, considerado lento demais pelo Mercosul, e principalmente da discussão sobre a eliminação dos subsídios à exportação agrícola, regras mais claras para o crédito às vendas externas do setor e redução do apoio concedido aos produtores rurais.
Conforme Zoellick, o governo americano registra US$ 15 milhões em exportações subsidiadas ao ano, enquanto os dados da União Européia mostram que as vendas externas favorecidas por esse benefícios alcançam US$ 2 bilhões. Na estratégia americana, mais valeria brigar pela eliminação dessas práticas na OMC, onde os compromissos terão de ser acatados por todos. Para o Mercosul, trata-se de uma questão-chave, que terá de ser obrigatoriamente tratada na Alca, sob o risco de inviabilizar esse processo de integração. Durante reunião reservada entre Zoellick e os ministros do bloco sul-americano, Ruckauf insistiu nesse ponto e ainda teve seus argumentos reiterados por seu vice-ministro, Martín Redrado.


