Agricultura terá recursos
para operações em bolsa
O setor agrícola terá financiamento com recursos externos para atuar no mercado de derivativos, como forma de garantir preços no mercado futuro (fazer hedge). O CMN aprovou ontem o ingresso de recursos externos pela chamada Resolução 63 Caipira para a criação de fundos de investimento específicos que custearão essas operações de hedge. Os produtores poderão utilizar esse dinheiro para cobrir as oscilações diárias de preços de seus produtos garantidos pela operação em bolsa de futuros.
O CMN aprovou também um voto dobrando o valor dos financiamentos para o custeio da safra irrigada de feijão, que passou de R$ 150 mil para R$ 300 mil por produtor. A medida visa regularizar o abastecimento do produto, que vem pressionando o preço da cesta básica. A escassez se deve à quebra da safra, devido a seca no Nordeste e a excesso de chuvas no Sul. O financiamento será concedido até 31 de julho aos produtores do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Minas Gerais. O juro a ser cobrado será de 9,5% ao ano. O governo espera crescimento de 40% na produção do feijão irrigado. Assim, os preços cairão.
O mercado futuro de produtos agrícolas no Brasil ainda é incipiente, segundo o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy. Ele explicou que os agricultores têm dificuldade em arcar com os custos da operação de hedge nas bolsas de mercado futuro. Os recursos que serão captados por meio da 63 Caipira servirão para cobrir esses custos.
As instituições financeiras deverão constituir fundos de investimento que terão a carteira composta por 80% de títulos de variação cambial e o restante em outros ativos. O agricultor receberá cotas desse fundo, que utilizará para cobrir as variações diárias do preço do produto na cotação em bolsa, numa operação que tecnicamente é chamada de ajuste de margem. A operação de hedge permite que o produtor ‘‘trave’’ um preço conveniente de venda de sua produção no futuro.

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