RIBEIRÃO PRETO - O ministro da Agricultura, Arlindo Porto, disse ontem, durante a abertura da 4ª Agrishow que o volume de recursos a ser liberado para os agricultores para o custeio da safra deverá ser de R$ 8 bilhões, ante R$ 5 bilhões no ano passado. A cultura mais beneficiada será o milho já que o governo quer estimular alta do produto. Ele estima que a safra de grãos 1997/98 deverá atingir 85 milhões de toneladas, um novo recorde.
Segundo ele, o número oficial dos recursos para o custeio agrícola será divulgado junto com o plano desta safra, na segunda quinzena de maio. O aumento esperado no volume de recursos para o custeio virá do crescimento no volume das exigibilidades, impulsionado pela CPMF, que já atingem R$ 3 bilhões.
Porto disse também que este deve ser o último plano de safra do governo. ‘‘A partir do ano que vem o setor agrícola já poderá contar com uma política agrícola definitiva, com metas de médio prazo, dando mais estabilidade e possibilitando o planejamento do produtor’’, disse. Ele explicou que participantes do governo e da iniciativa privada já estão reunidos em 33 grupos de trabalho para discutir as normas desta política agrícola. Os resultados deste trabalho deverão ser entregues ao governo entre junho e julho.
O ministro informou que, apesar da safra recorde esperada, o produtor não deverá arcar com a queda de preços das commodities como soja, milho e café. Isto porque tanto os estoques do governo quanto os internacionais estão baixos. O governo pretende também utilizar instrumentos como securitização, financiamentos de EGF para indústria, leilões e o mercado de opções para controlar os preços.
Porto também ressaltou o papel do governo na reativação do setor rural. ‘‘Compete ao governo criar estratégias e instrumentos que leve ao crescimento da lucratividade na agricultura’’, disse. Segundo ele, o crescimento do setor agrícola está vinculado à redução de custos e uso de tecnologia. ‘‘Dar acesso a estes instrumentos ao agricultor é um papel fundamental do governo. Sem tecnologia não há produtividade e sem produtividade não há lucro’’, disse.
Ele informou que o governo decidiu também aumentar os recursos para investimentos. O Banco do Brasil terá R$ 300 milhões disponíveis para financiamento de máquinas e equipamentos e o Pronaf irá dispor R$ 350 milhões para o financiamento da agricultura familiar. Porto prevê que, no ano que vem, os recursos disponíveis através do Pronaf deverão atingir R$ 1 bilhão.

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