Brasília - O governo vai liberar mais de R$ 10 bilhões para investimentos no setor agrícola na próxima safra. O montante, quase 70% maior que os R$ 6 bilhões já liberados na safra atual, será anunciado no dia 17, quando o presidente Luiz Inácio Lula vai divulgar o Plano Agrícola e Pecuário 2004/2005. O pacote inclui um conjunto de instrumentos financeiros de aumento de crédito ao setor.
O pilar do novo plano, no entanto, será o Moderfrota, programa de modernização da frota de tratores e implementos agrícolas. Ele terá metade dos recursos previstos para investimentos, ou R$ 5 bilhões, conforme adiantou à Agência Estado o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin. É mais que o dobro dos R$ 2,25 bilhões destinados ao programa nesta safra. ''O Moderfrota deu certo e impulsionou a atividade agrícola. Por isso, o destaque no plano'', disse Wedekin. O programa, administrado pelo BNDES, foi lançado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2000.
A intenção do governo com o plano agrícola é dar ''uma nova injeção de ânimo para um setor com desempenho extraordinário no Brasil'', segundo o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. ''Ampliaremos os recursos para financiamento, criando, com o Ministério da Agricultura, mecanismos de financiamento e seguro inovadores e, com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a ampliação dos recursos para a agricultura familiar'', comentou o ministro, por intermédio de sua assessoria de imprensa.
O acentuado ritmo de crescimento que a agricultura vem tendo nos últimos anos, batendo sucessivos recordes de produção e de exportações, foi quebrado neste ano em consequência da seca na região Sul e da ferrugem que atacou as plantações de soja no Centro-Oeste. Na semana passada, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou que a expectativa de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) agrícola havia sido reduzida de 6% para 3% na safra que está acabando de ser colhida. De acordo com Wedekin, a expectativa é de que o novo plano agrícola possibilite expansão de 3 milhões de hectares na área cultivada no País.
O governo decidiu dar prioridade à construção de armazéns, silos e compra de máquinas. ''A proposta é reduzir a ineficiência e os custos da atividade agrícola. Estimular investimentos nessas áreas significa aumentar a produção, ter mais ganhos em escala e evitar perdas'', afirmou Wedekin.
O secretário informou que serão mantidos os atuais juros do Moderfrota: 9,75% ao ano para produtores com renda bruta anual de até R$ 150 mil e de 12,75% ao ano para agricultores de renda superior. O presidente Lula vai anunciar também a fusão entre o Moderfrota e o Finame Especial Agrícola, programa também voltado para a compra de máquinas e equipamentos, mas que será redesenhado. ''O Finame deixará de ser aplicado na compra de máquinas para financiar, por exemplo, a construção de armazéns por prestadores de serviços'', informou Wedekin.

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