Agricultura terá que ganhar na produção de escala, sugere Senar
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 1997
Luiz Carlos Rizzo Especial para a Folha Ivatuba 
Numa economia globalizada, com reflexos profundos na agricultura e pecuária, o produtor não tem mais o poder de decisão sobre o que plantar. Esta prerrogativa fica por conta do mercado, dentro da visão da cadeia produtiva e do consumidor. Quem não se conscientizar dessa nova realidade certamente amargará prejuízos.
Ao fazer esta advertência quinta-feira, em Ivatuba, Noroeste do Paraná, o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR), Ronei Volpi, deu um recado claro: o produtor que não entender o que o mercado exige está condenado a mudar de atividade, a curto prazo. Quem manda em nossos negócios não somos nós, mas sim o mercado, que pode ser entendido como o atacadista, a indústria, a armazenagem e o consumidor final. Esses clientes estão cada vez mais exigentes mas têm que ser conquistados pelos produtores.
Volpi falou no Seminário Encontro Técnico Novos Tempos na Agricultura, promovido pela Emater, Cocamar e Prefeitura de Ivatuba. Participaram do evento o secretário da Agricultura, Hermas Brandão, o presidente das Faep, Ágide Meneguette, e o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, além de técnicos e cerca de 500 agricultores.
Ao falar de novos paradigmas, Ronei Volpi observou que Competitividade, qualidade, produtividade e regularidade são palavras-chave para quem precisa se modernizar na atividade agropecuária. Isto porque, as distâncias estão cada vez mais curtas, especialmente nas áreas de serviços de informática. Na visão de Volpi, o agricultor necessita - mais do que urgentemente - preservar o mercado interno que vem sendo invadido pela concorrência estrangeira. Nesta guerra - observou - a melhor arma é a eficiência.
O superintendente do Senar-PR - entidade formadora de mão-de-obra que oferece mais de 50 cursos na agricultura e pecuária - aponta para a necessidade do ganho por escala. Para o produtor rural, resta a opção da melhoria contínua em sua atividade, na qual ele deve ganhar menos sobre mais e não mais sobre menos.
O presidente da Faep, Ágide Meneguette, acusou a abertura econômica de estar criando concorrência predatória aos produtos brasileiros. Disse que a abertura foi feita de forma precipitada e a importação de produtos agrícolas ocorre sem planejamento. Com dados oficiais e da própria Faep, mostrou excesso de impostos e tratamento privilegiado para produtos estrangeiros, beneficiados por subsídios nos seus países de origem.


