A atividade agrícola terá novo mecanismo de financiamento nos próximos meses, com a criação de um mercado futuro de vendas físicas de grãos, hortaliças, frutas, produtos semi-elaborados ou elaborados, em que serão negociados títulos registrados na Central de Custódia e Liquidação de Títulos Públicos (Cetip).
Segundo o presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados, Hugo Biehl (PPB-SC), a proposta foi apresentada ontem ao presidente do Banco Central, Gustavo Franco, que gostou da idéia e solicitou que os Ministérios da Agricultura e da Fazenda se pronunciem sobre o assunto. O deputado explicou que o novo mecanismo funcionaria como uma CPR (Cédula de Produto Rural), atualmente negociada nas bolsas com o aval do Banco do Brasil. Só que os papéis representativos de produtos físicos e/ou futuros seriam emitidos pela Companhia Nacional de Registros (CNR), uma empresa de capital aberto, fundada em 1995 por várias indústrias do setor, como a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) e a Sadia.
Hugo Biehl observa que a grande vantagem da proposta está no fato de que o
produtor conseguiria carregar o estoque ou a produção futura com capital privado, pois os papéis seriam negociados nas bolsas de mercadorias. Se a China quiser comprar dois milhões de sacas de soja, por exemplo, explicou, os produtores poderão se reunir para compor o lote e receber parte do dinheiro antecipado para financiar a produção.
O deputado Hugo Biehl disse à Agência Estado que o grande interesse de países asiáticos em comprar alimentos do Brasil o levou a procurar a Abia e a própria Companhia Nacional de Registros (CNR) para reativar a proposta dos títulos apresentada em 1995 durante o Fórum Replantar Brasil. O deputado afirma que defende essa operação, também conhecida como dólar-alimento, para que o agricultor possa financiar sua produção com a garantia de poder pagar com o produto. ‘‘O dinheiro do comprador estrangeiro entra no País via Banco Central e não vai para o sistema financeiro, além de não haver problema cambial, pois a dívida é em produto’’, assegurou. Além da necessidade de registro na Cetip, o novo mecanismo contará com uma empresa seguradora para que a produção estocada ou a ser produzida esteja garantida.

mockup