Oswaldo Petrin
De Londrina
A reunião de ontem do Conselho de Sanidade Agropecuária (CSA) de Londrina teve uma pauta bem polêmica: a) Apresentou painel sobre abate clandestino de gado, b) Atacou a fiscalização de produtos de origem animal (serviços de inspeção federal, estadual e municipal), c) Propôs mudanças ao fundo financeiro para defesa sanitária animal, d) Recebeu informações sobre qualidade da água na irrigação de hortaliças da região.
A reunião do CSA contou com a presença do delegado regional do Ministério da Agricultura, José Roberto Borghetti que anunciou aumento de recursos do Ministério da Agricultura ao Estado do Paraná.
Na parte da manhã, a reunião do CSA aprovou a formação de um grupo de trabalho que vai estudar a criação da ‘‘Agência de Apoio ao Comércio Exterior de Produtos Agropecuários’’. O objetivo da Agência é estimular a exportação, através de apoio aos produtores na melhoria da qualidade e sanidade, identificação de nichos de mercado, enfim todo assessoramento técnico necessário para viabilizar exportações. O grupo de trabalho terá a coordenação do engenheiro agrônomo Paulo Felix, da Seab, e começa a ser formado para aguar imediatamente, segundo o presidente do CSA, Edison Mazei Ponti.
Sobre abate clandestino de gado e serviços de inspeção, a conclusão do conselho - que reúne perto de 32 instituições do setor público e privado - é que a situação é trágica. E todas as soluções aventadas passam pela ‘‘vontade política’’ dos governos federal, estadual e municipais.
O presidente do CSA, Edison Mazei Ponti, disse que o órgão vai ‘‘bater forte’’ na questão abate pois a melhoria da sanidade beneficia o consumidor interno e ajuda aumentar as exportações de carne, um esforço dos produtores.
No Painel ‘‘Abate Clandestino de gado’’ falaram técnicos da Seab, do Ministério da Agricultura e o presidente do Sindicarnes, Péricles Salazar. Cada expositor fez um diagnóstico da realidade e apontou soluções.
Às alegações de que faltam recursos irritou o presidente da Associação dos Suinocultores do Norte do Paraná, José Luiz Vicente. Ele perguntou o que é feito com recursos do ICMS, Funrural e outros. Lembrou também que o setor contribui com o Fundo de Defesa Contra a Peste Suína Clássica, uma fonte de recursos colocada à disposição do governo.
Edison Ponti destacou a notícia do Sindicarnes sobre um convênio entre frigoríficos e Seab pelo qual os frigoríficos com SIF aceitam abater, de graça, animais de particulares, desde que os proprietários concordem que esses animais sejam submetidos à inspeção. O estímulo ao uso dessa estrutura, segundo Ponti, é uma forma de legalizar os abates e mantê-los sob inspeção federal. Uma das formas de fazer uso desse serviço é o envolvimento da comunidade.
Conforme informação do Sindicarnes, até hoje ninguém se interessou pelo serviço, o que coloca em dúvida a procedência e sanidade dos abates feitos sob a responsabilidade dos municípios (Serviço de Inspeção Municipal SIM).
Recursos O representante do Ministério, José Roberto Borghetti, disse que a Delegacia está atuando no sentido de aumentar os recuros para o Estado do Paraná. Os repasses de recursos federais contempla em média 40 a 45 municípios. No entanto, graças a gestões recentes Delegacia, o número de municípios beneficiados deve pular, em março, para 250 municípios. ‘‘Queremos que os recursos cheguem aos 399 municípios do Estado’’, disse Borghetti.
Em termos nacionais, o agronegócios participa com 42% de um PIB de R$ 1 trilhão, movimentando cerca de US$ 420 bilhões, no entanto, os recursos retornados ao setor não chegam a 5% desse montante. No caso do Paraná, não é diferente: o agronegócio participa com 37% do PIB (R$ 17 bilhões) mas recebe menos de 5% desse valor.
O ex-governador Ney Braga tomava cafezinho nos diversos escalões do governo federal e descobria onde havia recursos. Era o único que fazia isto. Depois de Ney Braga, a eficácia dos governadores caiu muito e pouco conseguem.

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