Agricultura reduz em 12,01% nível de emprego em SP
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sexta-feira, 11 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo O mercado de trabalho da agricultura paulista, que encolheu ao ritmo de 1,27% ao ano na década de 90, continua se retraindo no início do século XXI. É o que mostra estudo de três pesquisadoras do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura de São Paulo (IEA). Artigo de Maria Carlota Vicente, Vera Lúcia Francisco e Celma Baptistella revela que, em novembro de 2001, a agricultura do Estado ocupava 1,146 milhão de pessoas, contra 1,310 milhão no mesmo mês em 2000. A variação negativa é de 12,52%.
Carlota Vicente aponta a modernização da produção agrícola como o principal vetor do encolhimento do mercado de trabalho no campo. Por um lado, esta modernização provocou crise na cultura de algodão paulista, grande geradora de emprego em períodos de colheita. Ao mesmo tempo, aumentou a mecanização na produção de grãos e de cana-de-açúcar, reduzindo a demanda por mão-de-obra também nestas atividades.
Carlota destaca, contudo, que a forte redução do número de pessoas empregadas na agricultura no período foi acentuada por problemas conjunturais. ''É preciso lembrar que o ano de 2001 foi bastante ruim para o café, e a produção de laranja também recuou'', explica. ''Café, laranja e cana-de-açúcar respondem por 60% dos postos de trabalho na agricultura paulista.''
O ano de retração para a citricultura e cafeicultura se refletiu diretamente na oferta de trabalho para os volantes, aqueles trabalhadores empregados por empreitadas, como a de plantio e colheita de culturas. Os postos de trabalho dos volantes caíram 14,5% em novembro de 2001, em relação ao ano anterior. Havia 268,4 mil volantes empregados em 2000, contra 229,5 mil no mesmo mês do ano passado.
Houve redução no nível de emprego em todas as categorias avaliadas pelas pesquisadoras. O número de assalariados residentes ou não-residentes nas propriedades rurais, que somava 494,4 mil em novembro de 2000, caiu 17,5% para 407,9 mil no ano seguinte. Os arrendatários residentes e não-residentes, que somavam 53.921 em 2000, eram apenas 30.703, uma redução de 43%. A quantidade de parceiros residentes e não-residentes, que totalizava 60.819 pessoas, reduziu 20,53% em novembro de 2001, contando com 48.329 trabalhadores.
Mas a categoria que mais chamou a atenção foi a de proprietários, residentes ou não-residentes. Havia 391.036 proprietários de terras em atividade agrícola em novembro de 2000, contra apenas 368.905 no ano seguinte, uma queda de 5,65%. ''Muitos pequenos produtores tiveram um ano ruim em 2001, por causa da fruticultura. Seria preciso acompanhar um período mais extenso para se confirmar tal tendência'', diz Carlota.


