Paulo WolfgangBoa faseO secretário Hermas: produtor trocou grão comum por semente certificada e se deu bem Os investimentos feitos na introdução de novas técnicas para o plantio de café e algodão no Paraná deverão gerar cerca de 250 mil empregos este ano. Nas demais áreas, a agricultura paranaense está reagindo às perdas sofridas com o Plano Real e confirma a tendência de crescimento.
O bom desempenho que o Paraná vem registrando na agricultura e na ‘‘redescoberta’’ do setor como gerador de empregos foi o tema escolhido pelo secretário da Agricultura, Hermas Brandão, em reunião com a imprensa ontem em Curitiba. Ele aproveitou o encontro para falar sobre os novos investimentos em tecnologia e conservação de solos.
Segundo Brandão, enquanto o País perdeu 8% em produtividade, o Paraná cresceu 6% contrariando a tendência nacional. Para este ano, a previsão é que os índices avancem em mais 4,5%, com a incorporação de tecnologia. Só isso mostra o potencial de crescimento de um Estado que não tem mais área física para ampliar o plantio, justificou.
Entre os investimentos apontados que estão resultando no aumento de produtividade, Brandão citou a participação do governo estadual no programa de calcário que está subsidiando, com custo zero, o transporte do produto até às prefeituras. Em 1995, o repasse de calcário tinha um subsídio no valor de R$ 10,00 a tonelada, comparou.
Em seguida citou o fornecimento de semente de milho certificada para os pequenos produtores.
No plantio adensado do café, o fornecimento de 70 milhões de mudas de café, subsidiadas pela Seab em 1995, resultou na criação de 17,5 mil empregos. Esse ano foram repassadas mais 130 milhões de mudas, cujo plantio deverá gerar cerca de 35 mil empregos e para 1998. O secretário antecipou que a Seab vai subsidiar mais 200 milhões de mudas, que demandarão na incorporação de 50 mil empregos para o plantio.
Com o algodão, as previsões também são otimistas. A cultura que gerava 400 mil empregos no Paraná em 89/90, que se destacava com maior produtor nacional, começou a declinar com a importação do produto subsidiado. Diante da incapacidade de o agricultor acompanhar os preços do mercado internacional, o setor começou a declinar e perdeu 350 mil postos de trabalho. Agora a cultura será reativada através de programa a ser implementado pela Seab. O governo vai repassar R$ 26 milhões a fundo perdido para subsidiar o agricultor no plantio de até seis ha. Os recursos deverão ser aplicados entre o repasse de calcário, fornecimento de semente e máquinas. Outros 4 mil a 5 mil deverão ser reativados nas cidades onde estão localizadas as indústrias beneficiadoras de algodão. Há 82 beneficiadoras estão paradas por falta de matéria-prima.

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