Brasília Representantes do setor agrícola brasileiro defenderam, ontem, maior agressividade nas ofertas sobre a liberalização do comércio de bens que serão encaminhadas neste mês pelo Mercosul à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e à União Européia (UE). O setor entregou um documento ao ministro das Relações Exterior, Celso Amorim, no qual enfatiza que o Mercosul deverá incluir todo o universo tarifário nas suas propostas e evitar posições defensivas nessas negociações.
''É do interesse do setor privado a apresentação de uma oferta ofensiva na área de bens agrícolas, pois isto credencia os países do Mercosul a solicitar reciprocidade na abertura dos mercados agrícolas de outros países'', assinala o documento. ''O Brasil não pode abrir mão de uma posição ofensiva na negociação. Deve ofertar a desgravação imediata e solicitar reciprocidade aos demais parceiros da Alca'', completa.
O relatório lembra que o Fórum Permanente de Negociações Agrícolas Internacionais, que é integrado pelas principais entidades do setor, já remeteu ao governo sua proposta de redução tarifária para todos os 967 itens agrícolas, tanto para a Alca como para a UE. Segundo Antonio Donizetti Beraldo, chefe do Departamento de Assuntos Internacionais da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), essa sugestão teria sido aceita pelo governo brasileiro integralmente, mas sua agressividade tenderá a ser diminuída pelos demais sócios do Mercosul.
O setor agrícola ressaltou duas preocupações. A primeira, que o Mercosul se oriente com base nas cadeias produtivas e inclua na sua oferta, de forma igualmente agressiva, a abertura do segmento de insumos agrícolas. A segunda, diz respeito à dificuldade na harmonização das posições do bloco sobre o açúcar produto que continua completamente excluído das regras do Mercosul.
O Brasil insiste em reduzir para zero a tarifa do produto o mais rápido possível, mas a Argentina quer incluí-lo na lista dos que serão liberalizados em prazo superior a dez anos. O Fórum propõe que cada país do Mercosul apresente ofertas individuais sobre o produto - o que tenderá a fragilizar ainda mais a estratégia dos quatro países de negociação da Alca como um único bloco.

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