O Ministério da Agricultura prepara um alerta máximo para prevenir a entrada de pragas que podem comprometer não só a saúde da população, mas principalmente a produção de alimentos. Os técnicos estão preocupados com o que chamam de ‘‘guerra biológica’’, ou seja, a disseminação de pragas cada vez mais poderosas e resistentes a agrotóxicos. Na semana passada, foi constatada a presença da Sigatoka Negra nos bananais do Amazonas e o governo federal pretende interditar o Estado proibindo a exportação de bananas para qualquer região do País ou do Exterior. Teme-se que a praga se alastre.
A Sigatoka Negra teve efeito devastador nos bananais da Colômbia, Equador, Nicarágua, Panamá e Costa Rica, acabando com a produção dos pequenos agricultores. Os técnicos temem que o mesmo ocorra no Brasil.
Apesar de o País ser o maior produtor mundial de banana, praticamente não existe exportação, o que significa que a fruta é mais de consumo interno. ‘‘No Panamá, a banana virou comida de rico após o ataque da Sigatoka Negra’’, afirmou um dos técnicos. Só foram salvas as grandes plantações de banana, mesmo assim com um alto custo de pulverizações semanais de agrotóxicos, que comprometem a saúde da população.
O ministério também prepara um sistema inédito de controle da entrada de passageiros no País provenientes das ilhas do Caribe, do Havaí, Austrália, China, Costa do Marfim e Filipinas, entre outros, para evitar que a praga conhecida como cochonilha rosada chegue ao Brasil. A praga ataca culturas como a laranja, pimenta, pepino, mamão, batata-doce, legumes em geral, hibisco e palmeiras ornamentais, com efeito devastador. O ministro Francisco Turra deverá divulgar, até a semana que vem, portaria que prevê a inspeção de todas as bagagens e passageiros provenientes dos vários países.
O objetivo é impedir a entrada da praga por meio de mudas, flores ou frutos, evitando o que ocorreu com o bicudo, a mosca-branca e o minador de citros, que estão destruindo as lavouras nacionais. ‘‘O brasileiro só reclama quando a praga chega às plantações, e queremos prevenir isso’’, disse um dos técnicos do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do ministério.

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