Agricultura orgânica cresce 22% no Paraná
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba A produção agrícola orgânica no Paraná (sem uso de agrotóxicos) na safra 2001/02 cresceu 22% em comparação ao ano agrícola 2000/01, quando os 3.077 agricultores adeptos do sistema colheram 35,539 mil toneladas em 10,3 mil hectares. Na última safra, a produção cresceu para 43,3 mil toneladas e a área subiu para 13,5 mil hectares. Os dados fazem parte do levantamento realizado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR) em conjunto com o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab).
De acordo com o Deral, o aumento na produção poderia ter superado os 40% não fossem as perdas nas lavouras de soja, castigadas pela estiagem no início do ano passado. A quebra estimada, de acordo com a Emater-PR, ficou entre de 10% e 15%.
A soja é o principal orgânico produzido no Estado, mas a redução na produção de olerícolas também influenciou o desempenho menor do que em outras safras. Segundo o coordenador estadual de agricultura orgânica da Emater, Iniberto Hamerschmidt, a estimativa era de que a produção atingisse 4,5 mil toneladas volume 50% maior do que o registrado na safra 2000/01 mas ficou em 4 mil toneladas, correspondendo a uma quebra de 11%.
No último levantamento feito pelo Deral em parceria com a Emater foram cadastrados quatro mil produtores orgânicos. Cerca de metade dos agricultores, informou Hamerschmidt, já tem o selo de produto orgânico e a outra metade ainda está em fase de conversão, ou seja, abandonando a agricultura convencional e partindo para a orgânica.
Para Maurício Tadeu Lunardon, técnico do Deral, o fato de nem todos os agricultores estarem produzindo significa que as perspectivas para a próxima safra são ainda melhores. O crescimento na produção pode chegar novamente aos 57% registrados na safra 1999//00.
Lunardon revelou que outro dado importante e animador apontado no último levantamento foi o aumento na produção orgânica animal, principalmente de suínos, leite e aves. ''Com isso, a produção de milho orgânico também aumentou'', complementou. A projeção, segundo o técnico, é que a produção orgânica no Paraná continue aumentando até porque a demanda por produtos livres de agrotóxicos tem crescido a cada ano.
Não há definição quanto aos programas oficiais, que serão implementados para fomentar o setor. A expectativa, no entanto, é a de que o cultivo de orgânicos receba atenção especial do novo governo, uma vez que o incentivo à agricultura familiar foi apontada como uma das prioridades durante a campanha eleitoral.
De acordo com o técnico da Emater, existe também a expectativa de se ampliar a assistência técnica aos produtores orgânicos. Atualmente, os 51 técnicos que fazem o trabalho de campo se dividem entre a agricultura convencional e a orgânica.
Além da soja orgânica, cujo plantio é mais concentrado na região Sudoeste (Francisco Beltrão), o Paraná produz hortaliças (Região Metropolitana de Curitiba), café (Norte), açúcar mascavo (Norte e Sudoeste), frutas (Jacarezinho, Cornélio Procópio e Litoral), e plantas medicinais (Guarapuava).


