Agricultura mostra baixa eficiência
Vânia Casado
Um dos méritos do Plano Real - e da abertura econômica, que foi uma das bases de sustentação do plano - é ter revelado o baixo grau de competitividade da agricultura. Mas o diagnóstico não foi seguido por políticas de apoio para incorporar o pequeno produtor no processo de abertura e modernização da economia. Preocupados com a falta de competitividade os produtores capitalizados e com acesso a crédito passaram a investir na modernização dos sistemas de produção para aumentar a produtividade e alcançar condições de igualdade com os concorrentes.
Como resultado do investimento, a produção de grãos cresceu 20% no Paraná e 6% no país, desde o início do Plano Real. Na safra 93/94, o Paraná colheu 15,92 milhões de toneladas de grãos e no país foram colhidos 78,19 milhões de toneladas. Para a safra 98/99, a estimativa do Paraná é colher 19,11 milhões de toneladas, e para o país, 83,22 milhões de toneladas.
Para a engenheira agrônoma Vera Zardo, coordenadora do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral), além da abertura da economia, a redução das tarifas de importações desnudou o baixo poder de competição da agricultura brasileira. Com isso houve uma concorrência direta, principalmente na produção de algodão, leite, trigo e os produtores mais capitalizados se viram obrigados a se tornar mais competitivos. Já os agricultores, sem condições de concorrência saíram e continuam saindo do mercado.
Ganho em tecnologia O aumento da produtividade dos grãos no Paraná foi obtido graças aos investimentos em tecnologia, principalmente na produção de soja. Desde o início da década, quando iniciou o processo de abertura econômica, acentuado durante o Plano Real, o crescimento de produtividade foi de 27%, passando de uma média de 2.200 quilos por hectare para 2.800 quilos por hectare. O milho teve uma evolução de 18% na produtividade, passando de 3.200 quilos por hectare, para 3.800 quilos por hectare. O feijão, é um dos produtos beneficiados com o aumento de produtividade em função da decisão de produtores tecnificados em investir na cultura. O índice saltou 86%, passando de 530 quilos por hectare para 1.000 quilos por hectare. O trigo também foi beneficiado, graças a investimentos em pesquisas. a produtividade avançou 23%, passando de 1.700 quilos por hectare, para 2.100 quilos por hectare.
Aspectos desfavoráveis Em compensação, a agricultura passou por situações desfavoráveis como principal âncora do Plano Real, que o setor fizeram passar por uma das piores crises dos últimos tempos. A agricultura vem convivendo com taxas de juros elevadas, que inibem os investimentos e a forte desvalorização cambial que acelerou as importações. Com isso, caiu a rentabilidade do agricultor, responsável pela exclusão de vários produtores da atividade.
A reversão das importações de produtos agrícolas começou somente esse ano, com a desvalorização do real. Em compensação, houve uma variação acentuada no custo dos principais insumos agrícolas utilizados no Plano Real, que poderá inibir a aplicação de tecnologia nas lavouras de verão da safra 99/2000.
Variação de preços A variação maior no preços dos insumos agrícolas ocorreu este ano, após a queda do real. O produto que mais subiu durante o Planto Real foi a formulação 05.25.25, que teve uma variação de 108,84%. E o produto que menos subiu foi o herbicida Roundup, que teve uma evolução de 13,05%.
Como nos insumos, a variação no preço das máquinas agrícolas foi mais acentuada de julho de 98 a maio deste ano, sendo que a evolução maior coincide com a desvalorização do real. Um trator médio de 75 cavalos teve uma evolução de 54,05% no período de vigência do Plano Real, passando de R$ 22.237,00 em julho de 1994, para R$ 34.255,00 em maio de 1999. Uma colheitadeira automotriz, indicada para soja, teve seu preço alterado de R$ 63.828,00 em julho de 1994, para R$ 89.985,00 em maio desse ano. O equipamento que teve menor variação foi o implemento grade niveladora de 32 discos, que custava R$ 2.328,00 em julho de 94 e estava sendo comercializada por R$ 2.486,00, em maio de 99.
No item sementes, o produto que mais aumentou no Plano Real foi a semente de soja, que teve um aumento de 80,24%. A saca de 50 quilos passou de R$ 16,04 em julho de 1994 para R$ 28,91 em maio desse ano. A semente de feijão passou de R$ 64,64 a saca com 50 quilos para R$ 89,92, uma elevação de 39,11%. A semente de trigo também teve uma variação acentuada. A saca de 50 quilos que custava R$ 14,70 passou para R$ 21,98, em maio de 99.Redução das tarifas de importação e abertura do mercado durante Real mostram o baixo grau de competição da agricultura brasileira
PrejuízosA agricultura de exportação foi prejudicada pelo câmbio irreal. Amargou defasagem durante três safras. Bons preços externos não chegaram a compensar





