BRASÍLIA - Antes de completar dois meses em vigor, a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) já está contribuindo com mais de R$ 1,5 bilhão para a agricultura, superando a estimativa inicial do governo, de R$ 700 milhões a R$ 1 bilhão durante todo o período de cobrança do imposto. O diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, acredita que a CPMF poderá injetar cerca de R$ 2 bilhões no crédito rural em função das exigibilidades bancárias, ou seja, a parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada na agricultura.
Somente o BB já teria aumentado as exigibilidades em R$
400 milhões até março. Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o BB informou que alocará este mês R$ 600 milhões no crédito rural, sendo R$ 280 milhões só de exigibilidades, com taxas de 12% ao ano. Em fevereiro já foram aplicados R$ 120 milhões com o incremento da CPMF.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Dias, disse que as informações que tem recebido são de que, seguramente, a cobrança da CPMF vai adicionar mais de R$ 1 bilhão no crédito rural. Técnicos do Banco Central informaram que, a partir dos números do Banco do Brasil, é possível projetar os dados de todo o sistema financeiro, já que, historicamente, o BB detém de 15% a 20% de todos os depósitos à vista.
Os técnicos ressalvam, no entanto, que o cardápio de opções oferecido pelos bancos pode alterar este porcentual, mas afirmam que a CPMF deverá ampliar os recursos para a agricultura num volume bem maior do que o inicialmente previsto. Alguns assessores do Ministério da Agricultura já falam que os recursos adicionais das exigibilidades com a cobrança da CPMF poderão atingir até R$ 2,5 bilhões.

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