Brasília Ao contrário do que se poderia esperar, a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) foi um tema pouco abordado durante a visita do representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, ao Brasil. O representante, que veio para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conversou principalmente sobre questões agrícolas e negociações multilaterias, tanto em uma reunião no Ministério da Agricultura, com o ministro Roberto Rodrigues, quanto em um outro encontro no Itamaraty, que contou com a presença do Chanceler Celso Amorim, do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e do próprio Rodrigues.
Segundo o ministro da Agricultura, Zoellick, demonstrou grande preocupação com a Política Agrícola Comum da União Européia. ''Ele deixou claro que o Brasil é relevante e não pode ficar de fora das negociações agrícolas na Organização Mundial do Comércio (OMC)'', afirmou Rodrigues.
Do ministro brasileiro, Zoellick ouviu que a agricultura será ''prioridade absoluta'' nas negociações internacionais e que, sem abertura nessa área, as demais negociações serão muito difíceis.
A ênfase dos Estados Unidos na agricultura européia tem uma finalidade concreta. Eles querem o apoio do Brasil e do Grupo de Cairns (maiores exportadores agrícolas, com interesses comuns, do qual os EUA não fazem parte) para conseguir que a União Européia (UE) diminua seus altos subsídios à agricultura.
Para o especialista em negociações internacionais agrícolas Marcos Jank, da Universidade de São Paulo (USP), que participou do encontro, existe de fato uma afinidade entre o Grupo de Cairns e os Estados Unidos no que se refere à redução dos subsídios agrícolas da UE. E Washington, que tem participado como observador das últimas reuniões de Cairns, precisa de uma aliança com o grupo para fazer prevalecer seus interesses agrícolas na OMC.
Em um sinal de que os americanos estão dispostos a buscar no Brasil um parceiro para esta aliança, o representante americano ressaltou a importância da participação do Brasil na reunião mini-ministerial de Tóquio em fevereiro. Trata-se de um encontro preparatório para a próxima reunião ministerial da OMC, marcada para setembro em Cancun, do qual participa um grupo seleto de cerca de 20 países.

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