Curitiba - A agricultura familiar é responsável por 43% do Valor Bruto da Produção (VBP) e envolve 70% do pessoal ocupado no Paraná, o que corresponde a mais de 1,1 milhão de pessoas. Os dados do Censo Agropecuário de 2006 mostram que este segmento é um capítulo à parte no Estado. São 302.907 estabelecimentos que representam 81,63% do total de propriedades. A análise regional aponta que o Sudoeste (Pato Branco e Francisco Beltrão) apresenta o maior percentual de estabelecimentos da agricultura familiar (88,9%) seguido pelo Sudeste (São Mateus do Sul e União da Vitória) com 88%.
A mesorregião Oeste (Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu) tem o maior número de estabelecimentos da agricultura familiar com 43.752. ''O Oeste é identificado com culturas de commodities (soja e milho) que direcionam para uma concentração fundiária. O crescimento da agricultura familiar nessa região deve-se à influência da integração entre avicultores e grandes abatedouros'', disse a pesquisadora do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Valéria Villa Verde.
Apesar de ter o maior número de estabelecimentos no Estado, a agricultura familiar ocupa 27,8% da área rural total do Paraná. O Sudeste possui 58% da área destinada à agricultura familiar e a mesorregião Centro Oriental (Ponta Grossa) ocupa apenas 11,20% de sua área com essa característica.
O presidente do Ipardes, Carlos Manoel dos Santos, disse que há uma ideia de que a agricultura familiar é voltada só para a produção de alimentos e muito para consumo próprio. No entanto, esse segmento produz soja, frango, frutas e leite. ''Há alguns produtores altamente tecnificados'', destacou.
Por outro lado, o maior número de estabelecimentos não familiares estão na mesorregião Norte Central (Londrina e Maringá) com 12.865 estabelecimentos. Em percentual, essa mesorregião divide com a Centro Oriental os maiores percentuais de estabelecimentos não familiares (23,7%).
Proprietários
A maioria - 64,8% - dos 302.907 estabelecimentos da agricultura familiar no Paraná são proprietários, 5,7% são arrendatários e 3,1% assentados sem titulação definitiva. O Sudoeste apresenta o maior percentual de proprietários (74,8%). Na condição de assentados sem titulação definitiva, o maior percentual (11,8%) está no Centro-Sul (Guarapuava) e o maior percentual de arrendatários no Centro-Ocidental (Campo Mourão) com 11,8%. Esse comportamento está associado a dinâmicas socioeconômicas e processos históricos de ocupação e colonização.
A agricultura familiar tem 43% do VBP. A Região Sudoeste apresenta o maior valor percentual (65,88%), seguida da região Sudeste com 58,25%. As regiões Oeste e Sudoeste lideram em número de ocupados na agricultura familiar com 110.125 e 107.157 pessoas, respectivamente. Em termos relativos, o Sudeste tem o maior percentual de ocupados, 85,6%. Já a maioria de ocupados não familiar está na região Norte Central com 90.047 pessoas.

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