Agricultura familiar cresce mais que patronal
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2004
Renata Veríssimo<br>Agência Estado 
Brasília A agricultura familiar brasileira correspondeu a 10,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2003, movimentando R$ 156,6 bilhões, revelou estudo divulgado ontem pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Em 2002, os agricultores familiares representavam 9,2% do PIB. Segundo o levantamento, o PIB do setor cresceu R$ 13,4 bilhões em 2003, 9,3% a mais que em 2002. Um porcentual bem acima do crescimento do PIB nacional, que foi de 0,5% no período, e quase o dobro da agricultura patronal (não familiar), que foi de 5,1%.
''Os números mostram que esta é uma atividade econômica e produtiva muito importante'', disse o ministro Miguel Rossetto. Segundo ele, o levantamento, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ajuda a ''desmistificar'' os investimentos no setor. ''Muitas vezes apresentam a agricultura familiar como um retrato de pobreza, de desqualificação e de incapacidade de responder ao dinamismo econômico'', disse.
Segundo ele, a agricultura familiar tem apresentado uma capacidade de resposta maior do que outros setores. ''Os números são grandes e ricos mostrando que o setor tem respondido às políticas de apoio do governo'', afirmou o ministro. ''Todos os estudos mostram que nossos investimentos produziram renda e asseguraram a permanência do trabalho rural, um valor importante para o País, e se traduziram em renda'', disse. O ministro defendeu a importância de manter políticas que garantam estabilidade à agricultura familiar. Segundo ele, um milhão de agricultores recebem a linha de financiamento para custeio, dentro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), com uma taxa de inadimplência de apenas 2%. Este ano, serão investidos R$ 5,8 bilhões em agricultura familiar. Em 2003, foram R$ 4,5 bilhões, disse o ministro. Rossetto informou ainda que os recursos destinados para a compra da produção de agricultores familiares para o Programa Fome Zero irão saltar de R$ 180 milhões, este ano, para mais de R$ 300 milhões em 2005. ''Estamos priorizando as regiões que não conseguiram se organizar no mercado'', explicou.
Os indicadores da familiar, de acordo com o estudo, são melhores que o da agricultura patronal. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, enquanto o PIB da agropecuária familiar cresceu 14,31% em relação a 2002, a agropecuária patronal cresceu 11,08%. Na lavoura, a agricultura familiar aumentou o seu PIB em 18,41% em 2003, na comparação com o ano anterior. O crescimento da lavoura patronal foi de 14,61%.
As produções em regime familiar que mais cresceram foram aves, leite e suínos. Segundo o ministro, 13 milhões de pessoas trabalham na cadeia produtiva da agricultura familiar.


