A demora na equalização dos recursos do Pronaf está preocupando os produtores incluídos nesse programa. A Frente Sul da Agricultura Familiar, que representa 950 mil agricultores familiares no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, está denunciando o atraso na liberação do dinheiro.
De acordo com o coordenador da Frente Sul, Dirceu Luiz Bresch, o governo anunciou a disponibilidade de aplicar R$ 500 milhões para atender o custeio do Pronaf-C (cujos empréstimos variam entre R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00) em todo o País. Ocorre que até agora, só equalizou R$ 373 milhões e essa quantia é ainda menor do que a equalizada no ano passado, quando foram disponibilizados R$ 490 milhões para essa linha. Bresch calcula que só para atender os agricultores familiares dos três estados do Sul, são necessários no mínimo R$ 200 milhões.
A preocupação maior é que nas regiões Oeste do Paraná e Santa Catarina, tradicional na produção de grãos, o plantio de milho e feijão já iniciou em agosto e até agora os produtores estão sem o dinheiro para plantar, disse Bresch. Ele criticou ainda o excesso de burocracia do Banco do Brasil, que impede o repasse de dinheiro para o sistema Cresol (cooperativas de crédito solidário na Região Sul), que tem hoje mais de 30 cooperativas filiadas.
A Frente Sul da Agricultura Familiar calcula que o BB deveria repassar imediatmente R$ 18,5 milhões solicitados pelo sistema Cresol, para repassar aos agricultores familiares beneficiários do Pronaf. A grande vantagem desse sistema, segundo Bresch, é que ela facilita o repasse porque os gerenciadores da cooperativa estão próximos e conhecem o agricultor.
A Superintendência do Banco do Brasil no Paraná informou que está aguardando o governo federal equalizar os recursos do Pronaf, para iniciar a liberação dos financiamentos dessa linha de crédito. Por enquanto, os recursos já equalizados estão sendo aplicados na renovação dos créditos já concedidos no ano passado e que foram quitados no período correto, sem inadimplências. Os novos pedidos de financiamento deverão ser atendidos quando houver a disponibilidade total dos recursos, informou o diretor de Agronegócios Gueitiro Matsuo Genso.
Segundo o secretário executivo do Pronaf-PR, Francisco Simioni, a dificuldade de equalização dos recursos do Pronaf está sendo provocada pelo aumento da demanda, após o governo ter promovido a redução dos juros para essa linha de crédito. Os juros caíram de 5,75% ao ano para 4% ao ano, o que está motivando muitos agricultores familiares a procurarem esse crédito. Ocorre que com a redução nos juros e a prorrogação das dívidas de financiamentos, em função das geadas, o volume de recursos do governo previsto para essa linha de crédito ficou menor.
De acordo com Simioni, o governo previa gastar R$ 540 milhões em recursos do Orçamento Geral da União, para equalizar os juros na taxa anterior. Com a redução, dos juros aumentou a necessidade de dinheiro. Sem falar na prorrogação das dívidas, cujo custo de carregar essa conta para frente fica com a União, e não com os bancos.

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