Ao contrário do que está prevendo o governo federal, divulgando os números de uma super safra agrícola, o setor não deve registrar um crescimento de renda. Apesar de serem cotados em dólar no mercado internacional, os grãos brasileiros, como a soja e o milho por exemplo, tiveram uma queda de preço que foi além da valorização da moeda americana.
Os agricultores podem até ter se beneficiado com a alta do dólar, no caso da exportação, mas por outro lado a queda na cotação dos produtos, aliada à uma alta generalizada dos insumos, pode comprometer o crescimento da economia agrícola este ano. A avaliação é do agricultor João Conrado Schmidt, um campeão de produtividade no Paraná, que faz as contas e aponta para um empobrecimento do setor agrícola do Paraná.
Enquanto o governo estadual fala da safra de verão apontando para um acréscimo de renda bruta de 12%, levando em consideração a alta do dólar, Schmidt coloca, com base nos dados do Estado, que a agricultura terá um empobrecimento na ordem de 25%. Ele explica, que os produtos podem até ser cotados em dólar, mas a reposição dos insumos, com a organização da próxima safra, será feita em Real, comprometendo os recursos para o plantio de inverno, uma vez que os insumos também foram reajustados com base na moeda americana.
O agricultor justifica a sua estimativa de empobrecimento, mostrando os números que a safra verão deve render no Paraná. Dos R$ 3,32 bilhões do ano passado, em 99 a safra de verão deve representar aproximadamente R$ 3,76 bilhões, com um crescimento de 12% em reais. Porém, quando transformados em dólar, esses bilhões irão representar US$ 2,76 bilhões e US$ 2,08 bilhões, chegando ao empobrecimento de aproximadamente 25% calculado por Schmidt.
No caso dos números do ano passado, o dólar cotado pelo agricultor era R$ 1,20, já para a avaliação da safra de 99 a moeda americana representa R$ 1,80. Os números são da Secretaria da Agricultura.
Quando Schmidt fala da queda de preços no mercado internacional, ele usa como exemplo o milho e a soja. Segundo Schmidt, no ano passado a saca de soja era cotada a US$ 13,00, contra US$ 8,80 nesta safra. O milho, que estava entre US$ 7,00 e US$ 8,00, caiu para US$ 4,20.
Diante desse quadro, Schmidt fala que a agricultura pode até colaborar, mas não aceita a responsabilidade de recuperar a economia do País. ‘‘O comportamento do Governo Federal, tratando a safra com a âncora verde do Brasil, não corresponde à realidade’’, afirma.
De acordo com Schmidt, que já foi secretário de agricultura, só não vai ter prejuízo nesta safra o agricultor que tiver uma excelente produtividade, compensando parte do prejuízo com o volume de produção. Ele alega que não terá prejuízo, mas a margem de lucro também deve ser muito pequena. Enquanto a média de produtividade de soja no Estado é de 2,8 mil quilos/hectare, em suas lavouras Conrado Schmidt consegue a marca dos 3,5 mil quilos/hectares. Ele cultiva 630 hectares de soja e 225 hectares de milho.

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