Agricultura é prioridade nas negociações dos EUA
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segunda-feira, 26 de maio de 2003
Paula Puliti<br> Agência Estado 
São Paulo O tema agrícola será central nas reuniões que o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Zoellick, terá nesta semana com ministros em Brasília. O assunto, que antes era de interesse quase exclusivo de Brasil e Argentina, ganhou status diferenciado em Washington.
Desde o fechamento do ano fiscal de 2002, os países latino-americanos passaram a ser considerados os mercados consumidores mais promissores para as exportações agrícolas norte-americanas. Os países da região substituíram a Ásia como principal destino das exportações agrícolas e do agronegócio dos Estados Unidos, importando 38%, ou cerca de US$ 20 bilhões, do total vendido pelos EUA.
Na prática, esse novo destaque dado por Washington ao mercado consumidor da região dá ao Brasil mais um elemento de barganha para forçar os EUA a reduzir seus subsídios à produção agrícola, a grande batalha brasileira nas negociações da Alca.
Em depoimento ao Senado, o subsecretário de Serviços Agrícolas Estrangeiros do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, J. B. Penn, afirmou que não há outra saída para a agricultura norte-americana a não ser as importações pelos os mercados emergentes, com destaque para a América Latina. ''Por isso, estamos perseguindo um agenda comercial ambiciosa, que inclui a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), um acordo de livre comércio com o Chile e a consolidação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), entre EUA, Canadá e México'', ressaltou.
Penn informou que estará no Brasil nesta semana para avaliar a capacidade produtiva da agricultura brasileira. Fará parte da comitiva de Zoellick, que chega nesta terça-feira a Brasília para uma visita de dois dias e reuniões com os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim; da Agricultura, Roberto Rodrigues; do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan; e da Fazenda, Antônio Palocci.
''A vitalidade econômica da agricultura norte-americana depende da habilidade de Washington em desenvolver e aperfeiçoar as oportunidades do mercado da região, sobretudo da classe média consumidora'', reforçou o subsecretário ao Senado.
Ele lembrou que, além de consumidores, países como Canadá, Argentina e Brasil são grandes exportadores agrícolas. Tratando a competição por um ponto de vista mais positivo, Penn afirmou que esse fato torna os três países aliados de Washington nos esforços para reduzir o suporte da União Européia às exportações agrícolas.
No ano fiscal 2003, as exportações agrícolas dos Estados Unidos devem atingir US$ 57 bilhões. Esse comércio gerará ganhos indiretos de US$ 84 bilhões para a economia, com processos de colheita, empacotamento, armazenamento, transportes e marketing.
Os principais produtos exportados pelos Estados Unidos são trigo - que sofre forte concorrência da Argentina para entrar no Mercosul - arroz, grãos brutos, oleaginosas, algodão e tabaco. Mas, nos últimos anos, as vendas de produtos de maior valor agregado, como carnes, aves, animais, peles, frutas e vegetais processados, além das bebidas, têm crescido rapidamente. No segmento do agronegócio, cada US$ 1 bilhão exportado proporciona US$ 1,4 bilhão em atividades não-ligadas à agricultura.


