Agricultura e Fazenda irão analisar reivindicações
As reivindicações apresentadas ontem pelas principais lideranças da região Sul do País e da Frente Parlamentar de Agricultura ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, serão estudadas em conjunto pelos ministérios da Agricultura e da Fazenda. O setor quer que a prorrogação da securititazação seja geral e não caso a caso como pretende o governo; resolver o problema do álcool com liberação de recursos para estocagem, adição de 3% de álcool ao óleo diesel, e compra do produto; garantia de comercialização da safra atual de inverno e futura.
A prorrogação do pagamento das dívidas da securitização será avaliada na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), no dia 28. Outra medida que será analisada pelo CMN é o aumento da exigibilidade bancária para o financiamento do setor agrícola para 30% ou 35%. Segundo Norberto Ortigara, da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a cada 5% de elevação nas exigibilidades, os recursos disponíveis para a Agricultura aumentam em R$ 1 bilhão.
Segundo avaliação da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), dificilmente o país vai colher mais de 83 milhões de toneladas de grãos na próxima safra de verão, se as reivindicações não forem atendidas de forma emergencial. Com a falta de crédito e recursos para plantar, a safra 98/99 deverá ficar próxima a 78 milhões de t, estima a CNA.
As lideranças mostraram um quadro de muitas dificuldades atravessadas pelo setor, deixando o ministro Turra e o assessor do ministro da Fazenda, Gerardo Fontellis, muito preocupados. Os problemas foram apresentados pelo secretário da Agricultura do Paraná, Antônio Leonel Poloni, pelos presidentes da Ocepar, João Paulo Koslovski, da Faep, Ágide Meneguette, pelo superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras, Amilcar Gramacho, pelos deputados Moacir Micheletto e Abelardo Lupion, da Frente Parlamentar da Agricultura e por representantes de cooperativas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Os deputados Lupion e Micheletto já articularam um encontro com os presidentes do Senado, Antônio Carlos Magalhães, e da Câmara Federal, Michel Temer, para que o drama da Agricultura seja levado ao presidente Fernando Henrique Cardoso urgentemente.
Dois documentos foram apresentados, em detalhes, aos ministérios: o primeiro, entregue pelo secretário Polloni, mostra a quebra da produção de trigo, e alinha cinco reivindicações; e o segundo pelo presidente da Ocepar, que mostra os problemas relacionados ao setor cooperativista: falta de recursos para comercialização da safra de inverno, para plantio da safra de verão, para estocagem de álcool e de lácteos, e para liquidação da segunda parcela da securitização. Estima-se que menos de R$ 7 bilhões estarão disponíveis para financiar o setor, ante os R$ 10 bilhões previstos.
Polloni e demais líderes agrícolas deixaram claro que o sucesso da próxima safra depende da solução dos problemas levados ao governo. O ministro Turra nos recebeu com muita atenção, está consciente de nossos problemas e vai se empenhar para buscar solução, frisou Meneguette.Lindauro Gomes/AERegime de urgênciaDeputado Lupion, que participou da reunião, quer que reivindicações cheguem à FHCVânia Casado





