Agricultura é a segunda em emissão de carbono
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sexta-feira, 05 de março de 2004
Agência Brasil 
Brasília- A principal fonte de poluição da atmosfera é a queima de combustíveis fósseis, responsável por mais de 60% da emissões de dióxico de carbono (CO), substância responsável por danos ambientais como o aquecimento global e problemas respiratórios. Em segundo lugar na emissão de CO está a agricultura, tanto pelo uso de combustíveis na mecanização quanto pelas técnicas de manejo do solo.
Neste contexto, a soja é uma das culturas que mais dependem da concentração de carbono no solo, ao mesmo tempo em que aparece como a maior causa de emissão de CO na agricultura. A informação foi divulgada pelo pesquisador do Departamento de Agricultura Americano (Usda), Don Reicosky, na VII Conferência Mundial da Soja que termina hoje, em Foz do Iguaçu (PR).
O carbono (C) é um nutriente natural do solo, cuja função é garantir a ciclagem dos componentes físicos, químicos e biológicos que servem de alimento às plantas durante todo o desenvolvimento vegetativo. A conservação do carbono no solo garante uma menor demanda por insumos, maior retenção da água e menor compactação. ''O carbono funciona como uma esponja que minimiza os impactos na compactação. A estrutura do solo sofre a pressão, mas volta ao seu estado normal em pouco tempo'', avalia Don Reicosky.
No processo de fotossíntese das plantas, o oxigênio (O) chega ao solo, aumentando a atividade microbiana. A união C + O resulta na produção de CO, substância eliminada gradativamente na decomposição das plantas. Contudo, a sincronia perfeita da natureza na sustentabilidade do sistema é afetada pela intervenção do homem, usando técnicas agrícolas que aceleram a emissão de CO. ''Na revirada do solo para descompactação e plantio, procedimento comum na agricultura convencional, há uma decomposição muito rápida da matéria orgânica (restos culturais que ficaram na última colheita). A emissão de CO durante o revolvimento do solo é semelhante à queima pelo fogo, com alta poluição atmosférica, só que de maneira não visível. O carbono não é algo palpável como a água, e essa é uma das restrições ao reconhecimento da importância deste problema'' , diz Reicosky.
Segundo ele, a soja causa efeitos dramáticos no solo, já que se decompõe mais rapidamente do que qualquer outra cultura. ''Na remoção do solo, a soja representa um valor 24 vezes maior de perda de carbono. No solo sem plantio, a perda de carbono e emissão de CO fica em 100%; no trigo, é de 196%, mas na soja, essa perda representa 264% '', contabiliza Reicosky. Sem carbono no solo, é preciso investir em insumos. Nos cálculos do pesquisador, são necessárias 10 unidades de carbono para produzir uma unidade de nitrogênio (N), e para gerar uma unidade de fósforo (P), são consumidas 60 unidades de carbono. ''O carbono é muito importante para manter a biodiversidade e a fertilidade do solo''.
Como se não bastasse, a soja ainda tem menor capacidade de infiltração de água em relação a outras culturas, gerando uma erosão de 778 quilos de solo por hectare ao ano (no milho é de 350 kg/ha).


