Curitiba - O setor produtivo do agronegócio do Paraná avaliou como positivo o Plano Agrícola e Pecuário divulgado ontem pela presidente Dilma Rousseff. Do total de R$ 115,2 bilhões, a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) estima que deve ser destinado para o Paraná cerca de 20% a 25%.
O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, disse que o pedido da entidade junto com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) foi de R$ 128 bilhões, valor muito próximo do anunciado. Outra medida que ele considerou benéfica foi a redução da taxa anual de juros para o agricultor de 6,75% para 5,5%.
''A queda do PIB do agronegócio e a sensibilidade do governo federal em reconhecer a importância da agricultura para a economia brasileira foram fatores que ajudaram para o estabelecimento de uma política que consideramos boa e que vai contribuir para que os agricultores e as cooperativas possam produzir com segurança'', disse. No entanto, ele ressaltou que ''é importante que os instrumentos de apoio ao agricultor sejam implementados o mais breve possível e que os recursos anunciados sejam garantidos'', completou.
Ele aprovou ainda o aumento do teto de cobertura do seguro oficial, o Proagro, que passou de R$ 150 mil para R$ 300 mil. ''Assim será possível abranger um número maior de produtores'', disse.
No Programa de Capitalização das Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro), Koslovski considerou bom o aumento do limite de financiamento de R$ 25 milhões para R$ 50 milhões por cooperativa, mas disse que os juros ainda ficaram muito altos com redução de apenas 0,5 ponto percentual, passando de 9,5% para 9% ao ano. Na modalidade capitalização do Procap-Agro, os juros caíram para 5,5% ao ano, o que, na opinião dele, foi bom.
Koslovski acredita que a redução dos encargos anunciada em outros programas como o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), que teve os juros ajustados de 6,5% para 5% ao ano, também contribuem para melhorar os investimentos no campo. No Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), os juros caíram para 5,5% e o limite de financiamento foi ampliado de R$ 60 milhões para R$ 75 milhões para as cooperativas singulares.
O volume destinado à subvenção do prêmio do seguro rural também não atendeu a demanda do setor que é de R$ 670 milhões, sendo alocado, no momento, apenas R$ 253 milhões, apesar de o governo ter assumido o compromisso de um total de R$ 400 milhões. Hoje, o governo paga, em média, 50% do prêmio do seguro, ou seja, do valor total que é pago pelo agricultor.
Outro problema apontado por ele, foi a falta de correção dos preços mínimos dos produtos agrícolas, o que prejudica o produtor. Além disso, ele questionou a não implementação do fundo de catástrofe, assunto muito discutido no Congresso Nacional e que poderia ajudar em momentos de quebra de safra.
Para o economista da Faep, Pedro Loyola, os recursos anunciados estão dentro do esperado. ''O problema é a qualidade do acesso aos recursos, o que ainda é muito burocrático'', disse. Ele afirmou que a redução da taxa de juros também atendeu as reivindicações do setor agrícola.
Ele fez críticas ainda ao seguro rural que está longe do ideal, além dos recuros saírem atrasados. Segundo Loyola, hoje o seguro atende apenas 10% da área plantada do Brasil. O seguro agrícola privado, que atende mais médios e grandes produtores, conta com apenas 44 mil produtores no Brasil, sendo 19 mil no Paraná. ''Precisamos avançar muito no seguro agrícola'', disse. Hoje, o seguro da soja, por exemplo, é de 6,5% sobre a importância segurada.

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