Agricultura de precisão melhora produtividade
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terça-feira, 22 de junho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A obtenção de informações precisas sobre a fertilidade do solo é um importante aliado do produtor que busca ganhos em produtividade. Uma ferramenta eficiente para esse objetivo é a agricultura de precisão. ''A novidade é que a tecnologia está mais barata e acessível ao agricultor'', afirmou Gláucio Roloff, professor do departamento de solos e engenharia agrícola da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Ele esteve em Londrina ontem para ministrar palestra sobre o tema na Embrapa Soja. A explanação do professor fez parte do evento Treino e Visita, utilizado pela empresa para transferência de tecnologias. Técnicos de 20 instituições participaram da programação.
Através de um pequeno computador instalado na cabine do trator, válvulas, motor hidráulico e do chamado Sistema de Posicionamento Global (GPS), que utiliza satélites, o produtor mapeia sua propriedade e consegue distribuir os fertilizantes de acordo com as necessidades específicas de cada talhão. O processo é todo mecanizado. A quantidade e as combinações de insumos a serem aplicados devem ser feitas por um engenheiro agrônomo após análise do solo.
Na prática, o especialista garante que a adoção da tecnologia traz economia. O custo de aplicação é de R$ 30,00 a R$ 40,00 por hectare diluídos em três anos. O lucro líquido é de US$ 30,00 a U$ 40,00 por ha ao ano em lavouras de milho; e US$ 20,00 a US$ 30,00 por ha ao ano em lavouras de soja.
Em glebas com grande variação de produtividade, pesquisas indicam que a utilização do GPS traz ganhos em produtividade. No caso do milho, o acréscimo pode chegar a mil quilos por ha. Em lavouras de soja, o ganho é de 200 a 300 quilos por ha. As vantagens estendem-se às áreas com boa produtividade. Nesses locais, o uso dos equipamentos de precisão garante economia de até 50% nos fertilizantes aplicados.
Apesar dos benefícios enumerados, Roloff comentou que a tecnologia ainda é pouco aplicada no Brasil. No Paraná, ele calcula que apenas 50 mil ha de lavouras sejam monitoradas por GPS. ''A maioria delas fica na região dos Campos Gerais'', disse.
Para o professor, os equipamentos permitem aumentar a competitividade dos produtores paranaenses frente aos agricultores do cerrado brasileiro, que têm fronteiras agrícolas disponíveis e custos mais baixos. ''É uma forma de expandir a base de produção sem aumentar a área'', considera. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, segundo ele, são os estados que mais utilizam a agricultura de precisão.


