- O aumento no uso de fertilizantes (notícia principal desta página) decorre da necesidade de buscar eficiência a todo custo e não porque o agricultor esteja com bom saldo bancário. Só muita competência administrativa e sorte podem evitar um período difícil na agricultura e, por extensão no agronegócio. Nesse contexto buscam-se saídas que até parecem modismo - como a agricultura de gestão, terceirização e outros - mas são forma de conviver com margem comprimidas da competição acirrada.
- A rentabilidade da pecuária - a exemplo do que ocorre na agricultura - está em níveis baixos. Estudos da FNP Consultoria & Comércio, de São Paulo, mostram que em relação ao capital investido a rentabilidade é de 2% a 4% para os que se utilizam de terras próprias. Já os pecuaristas que se utilizam de terra arrendada, e conseguem ser muito eficientes na comercialização, conseguem de 12% a 13% de rentabilidade em relação ao capital investido.
- Os baixos lucros na pecuária estão retirando produtores do mercado. Em 1995, o rebanho brasileiro encolheu 1 milhão de cabeças. Já neste ano, a redução deve ser de 3,5 milhões de cabeças. É a primeira vez que o rebanho diminui. A queda se deve ao aumento dos abates. Em um primeiro momento, a oferta de carne sobe, e os preços caem. Mais tarde, no entanto, o processo pode se inverter. Idem com relação à avicultura, que depende hoje dos custos e da produtividade. Com isso, estão ficando no setor apenas os que conseguem se enquadrar nesse binômio, em geral, grandes produtores. O crescimento do setor neste ano deve ser de apenas 1% no Brasil. Já no mercado externo, o aumento da atividade deve ser de 6%.
- Quanto à necessidade de racionalizar os investimentos, os estudos de tese de doutorado do pesquisador Antonio Carlos Laurenti que o digam. Esmiuçando os contornos da terceirização a tese mostra a evolição de novas relações na economia rural. No bojo da terceirização há outras variantes permeando um novo perfil da administração da fazenda ou sítio, enfim o estabelecimento agropecuário. Tudo em nome da escassez de recursos e da necessidade de racionalizar.
- Em reportagem especial a ser publicada amanhã, Laurenti expõe a terceirização ao debate. Ela existe há anos, como mostra a tese, mas não se formaliza como instrumento de parceria. Mas, com certeza, veio para ficar, na medida em que substitui os investimentos em máquinas por parte de quem outrora não usou da mesma parcimônia.
- O que ocorre, como aponta o estudo, é que antigamente o produtor comprava a totalidade da vida útil das máquinas. Agora ele só compra o que é necessário. Sinais dos tempos e da evolução, o investimento em máquinas compromete o agricultor com determinada cultura...e com o banco. O que a linguagem acadêmica chama de inserção inflexível de mercado. Na realidade o que está em xeque é a resistência do setor produtivo.

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