A demanda de financiamentos através da ‘‘63 caipira’’, que capta recursos no mercado externo, ainda deve ser uma linha de crédito bastante procurada por médios e grandes produtores para o custeio da safra 98/99. Apesar do risco de uma desvalorização cambial mais acelerada, os produtores estão preferindo esta alternativa porque a taxa de juros é inferior.
No Banco do Brasil esta linha está sendo oferecida com taxas de juros de 15% ao ano, mais a variação cambial. Para a comercialização a taxa sobe para 17% mais a variação cambial, informou o gerente de Recursos Orçamentários, Jorge Luis Stachiu. Ele comparou as liberações nessa linha de crédito já ocorridas no primeiro semestre de 98 e constatou um incremento de 8% no Paraná. No primeiro semestre de 97 foram financiados US$ 7,1 milhões e este ano, US$ 7,6 milhões. No ano passado, incluindo o segundo semestre, período que concentra os financiamentos para o custeio agrícola, o Banco do Brasil liberou US$ 33 milhões no Estado.
Apesar do risco da desvalorização cambial, Stachiu disse que a ‘‘63 caipira’’ é uma alternativa para baratear o crédito. Isso porque o produtor faz um mix entre os recursos dessa linha e as demais linhas, com recursos controlados oferecidos a taxas de 8,75% ao ano. Para Stachiu, o produtor está confiante na estabilidade da economia e se houver desvalorização cambial, que poderá encarecer os financiamentos, ‘‘ela será feita em doses homeopáticas’’.
‘‘Geralmente, essa linha de crédito é aplicada no curto prazo, entre 90 a 120 dias’’, disse o técnico de crédito rural da Secretaria da Agricultura, Francisco Simioni. A preocupação em saldar logo o financiamento é a fórmula encontrada pelo médio e grande produtor para escapar de efeitos devastadores de uma desvalorização cambial, justificou.
Segundo o consultor em economia agrícola, Luiz Antonio Fayet, os médios e grandes produtores estão encurralados pelos altos juros do custeio. ‘‘Se eles não optarem pela 63 caipira, vão acabar caindo na CPR (mecanismo de venda antecipada do produto), que tem um deságio alto’’, explicou. Para Fayet, o diferencial de custo da ‘‘63 caipira’’ para a CPR não deve ser mais alta que a aceleração da desvalorização cambial.
Com a tendência de queda no preço da soja para a próxima safra, o deságio da CPR é semelhante ao juro praticado no mercado, alertou o assessor econômico da Federação da Agricultura do Paraná, Carlos Augusto Albuquerque. Para evitar prejuízos e queda na rentabilidade, ele recomendou que o produtor deve comprometer no máximo entre 20% e 30% da safra futura para levantar recursos para o custeio. O restante da safra, ‘‘ele deve aguardar para avaliar melhor a tendência de mercado e a sinalização de preços futuros’’, sugeriu.

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