Agricultura acelera ritmo de montadoras
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quinta-feira, 05 de setembro de 2002
Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
Londrina - Com os principais produtos agrícolas obtendo boa liquidez e preços remuneradores nas duas últimas safras, com destaque para a soja e o milho, produtores rurais estão mais motivados a renovar a frota de máquinas em 2002, a ponto de o ano estar sendo considerado ''atípico'', com vendas aquecidas em todo o período decorrente, chegando até a faltar produtos na pronta-entrega de algumas revendedoras paranaenses. A expectativa do setor é que este ano sejam comercializados 4,4 mil colheitadeiras e 30 mil tratores.
A linha de crédito Moderfrota, para financiamento de máquinas agrícolas, disponibilizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também está sendo apontada pelo mercado como grande incentivadora desse momento. Este é o segundo ano que esta linha está em vigor e, para a safra 2002/2003, foram alocados R$ 1 bilhão.
Segundo dados da Superintendência Estadual do Banco do Brasil, até agora 2.078 produtores paranaenses aderiram ao financiamento, contabilizando recursos de R$ 107 milhões. No ano passado, 2.833 produtores participaram do programa, o que correspondeu a investimento de R$ 119 milhões. O Moderfrota estabelece juros de 8,75% ao ano para produtores com renda bruta anual inferior a R$ 250 mil e de 10,75% para renda superior a esse valor. O prazo de pagamento é de seis anos para tratores e, de 10 anos, para colheitadeiras.
''A demanda está muito grande e nenhuma indústria estava preparada para isso. No ano passado, vendemos 400 tratores e este ano a expectativa é de 800'', comentou o empresário Jacy Scanagatta, que tem uma revenda da Massey Ferguson, em Cascavel. Na loja, a lista de espera aguarda entrega de 400 tratores. Na pronta-entrega, também faltam pulverizadores e colheitadeiras.
''O agricultor está mais capitalizado e, entre os indicativos dessa tendência, está um aumento significativo pela procura pelo pagamento à vista e o baixo índice de inadimplência, que está em torno de 0,03%'', acrescentou Scanagatta.
Para o gerente-geral da New Horizon, revendedora John Deere, em Londrina, Martin Stremlow, o agricultor que tem produtos tabelados pelo dólar apresenta maior vantagem de compra. ''Veja a soja, que praticamente teve seu preço dobrado, enquanto que os maquinários, pelo menos da marca que representamos, teve aumento médio de 20% nos últimos 12 meses'', afirmou. Na sua loja, a procura maior é por colheitadeiras.


