Agricultores trocam grãos por cultivo de flores
Carmem Murara
De Curitiba
O que para muitos agricultores representa apenas um enfeite dentro de casa para outros é sinônimo de dinheiro no bolso. São os produtores que decidiram deixar de lado o tradicional plantio de grãos ou de hortaliças para se dedicar ao cultivo de flores, ainda pouco explorado no Paraná. Alguns desses produtores partipam da 30ª Feira do Paraná, exposição que vai até o próximo domingo, no Parque Castelo Branco, em Pinhais. O Pavilhão das Flores tem expositores de várias regiões do Estado, mas um dos destaques é a Agra Flores extensão da Cooperativa Agrária Entre Rios, de Guarapuava. Vinte e oito agricultores se dedicam ao plantio de flores, que são vendidas para os municípios que estão num raio de 150 quilômetros de Guarapuava. Outros 25 agricultores devem aderir ao plantio de flores na Entre Rios, nas próximas semanas.
A plantação de flores no Paraná ainda é muito pequena e está concentrada nas mãos de no máximo 65 produtores, segundo o coordenador do Mercado das Flores, Alexandre Florêncio. O mercado é uma proposta desenvolvida em conjunto com a Cidade Industrial de Curitiba e Emater para instalar na Ceasa um pólo atacadista para comercialização do produto.
Segundo Florêncio, o mercado consumidor é abastecido em quase 95% pelas flores produzidas em Holambra e Atibaia (São Paulo), que conseguem fazer a colheita com um custo 25% inferior ao do Paraná. Uma pequena quantidade é proveniente do Vale do Itajaí e Joinville, disse o coordenador.
No caso da Agra Flores, os agricultores estão com 53 mil metros quadrados de estufas e as áreas variam de 10 mil a 110 mil metros quadrados para plantar as mais variadas espécies, que vão dos conhecidos crisântemos, begônias, orquídeas e cravos até as espécies mais raras como as gypsófila, gérbera e astroeméria.
O agrônomo César Kersting da Agra Flores diz que uma das vantagens do cultivo de flores é a colheita ao longo do ano. Não temos períodos de safra, mas uma produção distribuída em 52 semanas de janeiro a dezembro, afirmou. O pico de consumo é em datas como Finados, Dia das Mães e final do ano. Para a virada do Milênio, os floricultores apostam num aumento da venda de flores brancas.





