A crise entre os produtores de soja na região de Maringá tem forçado muitos deles a abastecer tratores, colheitadeiras, caminhões e até caminhonetes com óleo de soja. A mistura tem se tornado comum e ajuda a diminuir os custos de produção. Apenas a Cocamar já vendeu este ano perto de 60 mil litros de óleo de soja para ser usado como combustível.
Os produtores contam que o baixo preço do óleo de soja em relação ao óleo diesel tem justificado a mistura. Enquanto no posto de combustível, o diesel está sendo vendido entre R$ 1,80 e 1,90, na Cocamar é possível pagar 1,30 no litro de óleo de soja. A diferença tem ajudado os produtores a reduzir os gastos com combustível em até 40%, como revela o agricultor de Floresta, João Luiz Ryzik.
A mistura nos tanques dos tratores é geralmente de 50% de diesel e 50% óleo de soja. Para Ryzik, a novidade só tem trazido vantagens. ''Estou economizando e não tem diferença alguma na hora do trabalho. Acho até que os veículos ficam mais econômicos com o óleo de soja.''.
O agricultor conta que vem fazendo a mistura há cerca de seis meses, mas agora está colocando óleo em todos os veículos. Na plantação de 100 alqueires de soja, o óleo do grão vai ser fundamental para diminuir os prejuízos causados pela estiagem e pela queda dos preços internacionais.
Outra vantagem da mistura é a diminuição dos gases poluentes. ''É até gostoso, fica um cheiro de fritura no ar. Acho que está melhor trabalhar assim. Não tem que aguentar aquela fumaça do diesel o dia todo'', observa.
Quanto ao fato da mistura trazer danos para o motor dos veículos, Ryzik justifica que todos são feitos para queimar óleo e o de soja é vegetal, enquanto o outro é mineral. No final, é preciso fazer manutenção sempre após a safra. ''Cada dia escuto mais gente falando que está fazendo a mistura. Conheço uns que estão colocando óleo de soja até na caminhonete'', revela.
Mecânicos consultados pela Folha não souberam dizer se a mistura pode afetar os motores movidos a diesel.

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