Produtores paranaenses de feijão iniciam o plantio da safra de águas com boa expectativa de comercialização do produto. Além das geadas que atingiram parte das lavouras, a oferta deve diminuir por causa do fenômeno El NiÀo, que já provoca excesso de chuvas no Sul do País. Com menor volume de feijão no mercado, os preços, que já estão bons, podem subir ainda mais.
A comercialização da última safra foi favorável aos agricultores. De acordo com Marcelo Eduardo Luders, diretor da Correpar Corretora de Mercadorias, em Curitiba, o feijão preto acumulou alta de 32% no último ano e o carioca, 18%. Segundo ele, a expectativa é que os preços continuem subindo porque a safra do Paraná, que abasteceria o mercado em novembro, foi afetada pela geada. ''Parte das lavouras foi replantada, mas só haverá oferta em janeiro'', diz.
O produtor Adão Lopata, de Lapa (71 km a oeste de Curitiba), plantou 30 hectares (ha) de feijão na última safra e obteve lucro de 100% sobre o custo de produção. Ele gastou R$ 30 para produzir cada saca vendida por R$ 60, com produtividade de 48 sacas por ha. Para a safra de águas, que começa a plantar na próxima semana, ele aumentou a área em cinco ha. ''Se conseguisse terras plantaria mais'', comentou.
Neudi Mosconi, produtor de feijão preto, carioca e jalo em Cascavel, também considerou a comercialização da última safra muito boa, apesar da produtividade pouco satisfatória por causa da seca, pois colheu, na média, 23,14 sacas em cada um dos 314 hectares cultivados, ante a produtividade histórica de 37 sacas. Ele aposta que a comercialização da safra de águas será ainda melhor. ''O El NiÀo vai prejudicar as lavouras, o mercado deve ficar favorável até o ano que vem'', acredita.
De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, o custo médio de produção do feijão das águas no Paraná é R$ 50. A saca do feijão preto está sendo negociada pelo produtor por R$ 65,00 e a do carioca por R$ 66,00.
A alta no preço do feijão é boa para os produtores, mas inibe o consumo. Segundo o Deral, o quilo do feijão cores está sendo vendido a R$ 2,14 e o preto, a R$ 2,08 o quilo, no Paraná. O comerciante Wadislau Kasprzak, de Irati (135 km ao norte de União da Vitória), que vende feijão preto a supermercados do Rio de Janeiro, considera que um preço razoável não deveria ser superior a R$ 2,00
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Ele enfrentou queda de 10% a 15% nas vendas no último ano. '' A comercialização está difícil porque os supermercados não querem repasssar o preço aos consumidores'', argumenta.
Marcelo Luders acrescenta que a alta do dólar também vai refletir no preço do feijão preto. Segundo ele, a quebra na produção vai aumentar a necessidade de importar o produto da Argentina, que negocia em dólares. '' O impacto será rápido no bolso do consumidor.''

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