Curitiba - A Petrobras recorreu à força policial para desocupar a última área que faltava para retomar a produção de xisto em São Mateus do Sul, a 140 quilômetros de Curitiba. Ontem, policiais militares da região auxiliaram oficiais de Justiça a cumprir uma ordem de desocupação e imissão de posse de um terreno de 72,6 hectares. Rafael Amarante, dono de uma proprieade rural, disse que vai continuar resistindo à desocupação e também vai recorrer à Justiça para voltar à área.
Segundo Amarante, o dinheiro pago pela Petrobras pela suas terras não é suficiente para adquirir propriedade semelhante. O valor depositado em juízo, R$ 260 mil, foi levantado depois de uma pesquisa feita pela estatal. A maioria dos donos das 72 propriedades desapropriadas aceitou a proposta de negociação da empresa. Foram 51 escrituras de compra e venda realizadas no total. Ainda se discute a divergência de valores, em ação judicial, de 16 propriedades, pertencentes a 12 pessoas. Apenas Amarante resistia, até ontem, em deixar a área.
''Agora não temos para onde ir. Não sei o que fazer'', disse o agricultor, reforçando que o valor oferecido pela Petrobras não dá para comprar nem a metade da área de sua propriedade. A área total desapropriada pela empresa, tem cerca de 7 milhões de metros quadrados e fica na região de Rio das Pedras. O processo de desapropriação começou há dois anos, a partir do decreto presidencial que declarou a localidade de utilidade pública, para garantir a continuidade das explorações de xisto e a operação das atividades, pela Petrobras.
De acordo com o engenheiro da Petrobras, João Carlos Winck, responsável pelas negocições de desapropriação dos terrenos, a retomada da produção vai gerar 800 empregos diretos e mais 1,5 mil indiretos. Ele lembra que a Petrobras/SIX é a maior arrecadadora de impostos no município de São Mateus do Sul contribuindo com 45% da geração de Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e sendo responsável diretamente por 60% da arrecadação do Imposto Sobre Serviço (ISS).

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