Agricultores de toda a região realizam hoje, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), mobilização contra a crise que toma conta do campo. As reivindicações são para garantia de um preço mínimo ‘‘digno’’; redução dos custos de produção agrícola, do plantio à colheita; redução das taxas de juros; e criação de um seguro-safra. A expectativa é que mais de 500 pessoas participem do protesto.
  A concentração terá início às 7 horas, no salão da Igreja Pio XII, no centro da cidade. Por volta das 7h30, os agricultores seguirão pela Avenida Santos Dumont, em tratoraço, até a agência do Banco do Brasil. A intenção é fechar a entrada da banco até às 11 horas. Normalmente, a agência abre às 10 horas. Além disso, está programada também uma audiência pública, marcada através da Assembléia Legislativa, que irá discutir as dificuldades enfrentadas pelos agricultores.
  A audiência será no salão da Igreja e está marcada para às 9h30. Estão confirmadas a presença do deputado estadual José Maria (PMDB), técnicos da Emater e da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, além de autoridades locais e regionais. Durante a audiência será elaborada a ‘‘Carta de Ibipor㒒, que deverá ser encaminhada ao governo federal.
  Segundo Maria Romana Moretto Bianco, assessora do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ibiporã, os agricultores estão todos endividados. ‘‘O que prejudicou foi o trigo, que está com preço muito baixo. O governo não garantiu preço mínimo, também não garantiu a compra e ainda houve a estiagem. Além disso, o preça da saca de soja caiu de R$ 40 para R$ 23’’, disse. Maria Romana ainda afirmou que a prorrogração de um ano para início do pagamento da dívida dos agricultores será insuficiente.
  Outra preocupação é com o aumento do desemprego no campo. De acordo com Maria, o índice de homologação de demissões neste ano aumentou cerca de 80% no sindicato, comparando com períodos anteriores. ‘‘Além disso, está havendo cortes das gratificações dos funcionários. Com isso, vai aumentar o êxodo rural e, conseqüentemente, a marginalidade nas cidades’’, afirmou.

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