Agricultores querem audiência com FHC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de maio de 2001
Rosana Félix De Curitiba 
Os agricultores familiares que estão em Curitiba desde terça-feira para reivindicar aos governos estadual e federal novas políticas para o campo fizeram ontem uma manifestação em frente ao prédio do Ministério da Fazenda, na capital paranaense. A intenção do protesto, que também foi realizado em Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC), foi de pressionar o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Fazenda, Pedro Malan, a receberem integrantes da Frente Sul, entidade que representa várias entidades dos agricultores familiares do Sul do Brasil.
A Frente Sul quer a audiência com o presidente e com o ministro para tentar convencê-los a aprovarem alguns pontos que já foram acordados entre representantes dos agricultores familiares e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Esses pontos, que tratam de vários assuntos do nosso interesse, já estão prontos, mas precisam do aval do FHC e do Pedro Malan, disse um dos coordenadores da Frente Sul, Marcos Rochinski.
Durante o ato em Curitiba, os produtores distribuíram fubá e leite para as pessoas que passaram pelo prédio da Fazenda. O milho e o leite caracterizam bem a agricultura familiar, que não está sendo devidamente reconhecida, explicou Rochinski. Na opinião dele, os governos deveriam colaborar no desenvolvimento da produção dos pequenos agricultores. O consumidor paga até mais do que R$ 1,00 pelo litro do leite, enquanto o produtor recebe às vezes menos de R$ 0,20, exemplificou.
Hoje a Frente Sul tem audiências marcadas com o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e com o Banco do Brasil. De acordo com Rochinski, os agricultores precisam definir com o INSS questões relativas a aposentadoria das pessoas que trabalham no campo. No Incra, a discussão vai girar em torno de desentendimentos que ocorrem entre índios e produtores familiares na área central do Estado, além de irregularidades de posseiros. O Incra tem que definir com urgência áreas para as reservas indígenas, mas sem ferir o agricultor familiar, que também depende da terra, opinou Rochinski. No Banco do Brasil o assunto a ser tratado é o fluxo para a liberação de recursos para os produtores familiares.
Até as 19 horas de ontem, o governador Jaime Lerner ainda não havia respondido aos coordenadores da Frente Sul se ele iria atendê-los.


