Curitiba - Cerca de 30 mil agricultores que vão participar da 19 Romaria da Terra, no município de Cruz Machado (280 km ao sul de Curitiba), amanhã, vão assistir a uma grande queima de sementes de algumas das 10 empresas que dominam hoje 40% do mercado mundial de sementes, além de 90% do mercado de agroquímicos, 60% do de remédios e 60% dos produtos veterinários.
Os agricultores são adeptos da prática da agroecolocia, que privilegia o cultivo de lavouras com sementes crioulas produzidas por eles ou por vizinhos. Trata-se um modelo alternativo que também é lucrativo, mas preocupado com a preservação do meio ambiente e com a saúde do consumidor. No Paraná, cerca de cinco mil famílias da região Sul são adeptos da agroecologia.
A divulgação desse novo modelo vem acontecendo anualmente há 20 anos durante a Romaria da Terra. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), organizadora da romaria, a semente é patrimônio da humanidade e não de poucas empresas.
O evento da Romaria da Terra quer demonstrar que quem ganha dinheiro hoje com a atividade rural são as multinacionais, donas das patentes das sementes de alta tecnologia. De acordo com o secretário executivo da CPT, Jelson Oliveira, o agricultor que compra a semente de empresas multinacionais, têm que comprar junto o pacote tecnológico recomendado. Na hora da colheita, descontados os custos da compra desses insumos ''sobra pouco para o agricultor'', afirmou.
Para Oliveira, o agronegócio só está indo bem no País ''graças à destruição do meio ambiente e do trabalho escravo, situações que os agricultores responsáveis querem ver extintas'', afirmou. Ele citou a expansão do cultivo de soja, ''que tem avançado sobre áreas no Cerrado e do cultivo de cana-de-açúcar que tem destruído o meio-ambiente''.
Na opinião de Oliveira, o problema das empresas multinacionais serem donas da semente e do pacote tecnológico acaba com a biodiversidade dos países. No Paraná, os agricultores que praticam a agroecologia fizeram uma parceria com a Universidade de Londrina, que está montando um banco de sementes de apoio à agricultora ecológica. Graças à essa parceria já foi possível resgatar 138 variedades de sementes de feijão, cerca de 140 variedades de milho, 25 de arroz, 15 de mandioca, 12 de batata, 3 de trigo, 2 de centeio, além de suínos e outros animais, salvos da extinção.

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