Agricultores queimam colheitadeira em protesto
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segunda-feira, 27 de março de 2006
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
A quebra de 40% na safra atual da soja foi a gota d'água para os agricultores do Norte do Estado. Ontem, cerca de 400 produtores de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) fecharam a PR-323 reivindicando dos governos Federal e Estadual a renegociação das dívidas e dinheiro para custear a próxima safra. Durante o protesto, que durou todo o dia, os manifestantes queimaram uma colheitadeira e interromperam o trânsito diversas vezes para entregar panfletos aos motoristas, com os pedidos feitos ao Governo.
Desesperados com a crise no setor, que vem se acentuando nas últimas três safras por conta principalmente da instabilidade climática e da desvalorização do dólar em relação ao real, os agricultores afirmam que a situação chegou a um ponto insupotável e não vêm perspectivas se não receberem ajuda. ''Já fizemos diversos pedidos ao Governo, pois nessas condições o campo não tem como sobreviver. Mas ninguém tem dado resposta à agricultura'', reclamou agricultor Valdemar Favoreto.
Fora a renegociação da dívida e a liberação de crédito, os produtores pedem por mudanças na política pública e exigem o preço mínimo da saca e ainda um seguro agrícola completo. Segundo Favoreto, na útlima safra do trigo, por exemplo, os produtores tiveram que vender a saca do produto por R$ 18, sendo que o preço mínimo era de R$ 24. ''Se o governo aplicasse a política do preço mínimo e comprasse o nosso produto para fazer reserva, a gente não precisaria vender tão barato e com isso ter prejuízo'', sustentou o produtor.
Outro problema que tem agravado a crise do setor é a queda da taxa cambial. Conforme o agricultor, Ronaldo Pescador, no ano passado os insumos agrícolas foram adquiridos com o dólar num valor e a produção acabou sendo repassada a uma cotação bem mais baixa. ''Além disso, temos os custos fixos de produção, como o diesel, que não não baixaram de preço e a necessidade de renovar os equipamentos'', disse Pescador. Ontem, a queima da colheitadeira simbolizou os equipamentos sucateados.
Para o superintendente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), José Roberto Ricken, o prostesto dos agricultores é totalmente plausível e deverá acontecer em outras regiões do Estado, na medida em que cada produtor comece a visualizar sua perda de renda. ''Acho até que a comunidade urbana deveria participar do protesto já que a crise no campo afeta diretamente os empregos da cidade'', enfatizou Ricken. Segundo levantamento da Ocepar, cada R$ 1 que deixa de ser gerado no campo refere-se a R$ 2,50 que deixa de circular na cidade.
Ricken adiantou que uma comissão de diretores da Ocepar tem uma audiência marcada para hoje com deputados na Câmara Federal em Brasília. Também estará presente na reunião os ministros da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o do Planejamento e representantes do Banco do Brasil. ''A gente vai mostrar a realidade do setor e reivindicar condições para que os agricultores possam produzir'', completou o superintendente da Ocepar.


