Cerca de mil agricultores familiares do Paraná fizeram ontem uma manifestação, na Praça 29 de Março, em Curitiba, que faz parte de um conjunto de atividades para pressionar os governos estadual e federal a atender reivindicações do setor. O grupo, pertencente à Frente Sul, que reúne várias entidades representativas dos agricultores, vai permanecer na capital até amanhã, e espera conseguir uma audiência com o governador Jaime Lerner.
Durante o ato de ontem, produtores rurais fizeram uma ‘‘mística’’, ato que simboliza o plantio de sementes com reza. A intenção, segundo a produtora Dirce Lira, era de demonstrar as dificuldades econômicas que eles estão passando. ‘‘É preciso baixar os custos para o produtor, como o das sementes’’, opinou Dirce.
Depois da mística, o grupo foi à Secretaria Estadual do Meio Ambiente para requisitar a adoção de medidas quanto ao uso de agrotóxicos. De acordo com um dos coordenadores da Frente Sul, Altair dos Passos, os agricultores não querem mais o uso de produtos químicos nas lavouras, mas a maioria não tem dinheiro para adotar outras maneiras de proteger as plantações. Ele explicou que a Frente Sul defende a oferta de uma linha de crédito para os agricultores poderem fazer a conversão das lavouras.
Uma das principais reivindicações dos agricultores é a extinção de um projeto, em discussão no governo federal, que exige equipamentos específicos para a produção de leite. Uma das coordenadoras da Frente Sul, Salete Escher, disse que isso poderia prejudicar 152 mil famílias, de um total de 320 famílias agrícolas rurais do Paraná, que têm no leite a principal fonte de recursos mensais. ‘‘Queremos mostrar que há outras maneiras de garantir a qualidade do leite, sem que o pequeno produtor seja prejudicado’’, declarou. O grupo também quer que o Paraná reconheça o método de resfriamento lento, bem mais barato que a utilização do equipamento para o método rápido.
Para a Frente Sul, é preciso haver também outras linhas de crédito para que os agricultores possam constituir agroindústrias. Segundo Salete, a Fábrica do Agricultor, programa do governo estadual nessa área, cobra juros muito altos (8,75% ano ano), e reivindica a adoção dos mesmos praticados pelo Programa Nacional de Agricultura Familiar, de 3%. A assessoria de imprensa do governo estadual disse que a taxa atual é a mínima que pode ser oferecida atualmente.
Hoje pela manhã os agricultores familiares vão à Assembléia Legislativa, com a intenção de pressionar os deputados a derrubarem o veto do governador Jaime Lerner a um programa de moradia familiar no campo proposto pelo grupo. De acordo com a assessoria do governo, o programa foi vetado porque o Paraná já possui o Paraná 12 Meses, destinado à moradia agrícola.

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