São Paulo - Cerca de 6 mil produtores agrícolas protestaram ontem perto da sede da União Européia (UE), em Bruxelas (capital da Bélgica), contra os planos do bloco europeu de eliminar os subsídios à produção de açúcar. A proposta, elaborada pela Comissão Européia (o braço executivo da UE), foi elaborada após a vitória conjunta do Brasil, da Austrália e da Tailândia na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o sistema de subsídios dados à produção de açúcar na Europa.
Representantes de países africanos e caribenhos também participaram do protesto, uma vez que a reforma proposta pela comissão também afetaria o acesso preferencial desses países aos mercados europeus. A ministra da Agricultura da Alemanha, Renate Kunast, disse que entende a preocupação dos produtores de açúcar, mas que as reformas ''são inevitáveis''. ''As reformas irão acontecer. Os fazendeiros precisam mostrar que sabem lidar de modo responsável com o dinheiro dos impostos.''
A Europa tem hoje cerca de 325 mil produtores de beterraba. A França, a Polônia e a Alemanha estão entre os maiores produtores de beterraba europeus. O presidente da Confederação Internacional dos Produtores Europeus de Beterraba, Otto von Arnold, disse que o projeto, que irá beneficiar principalmente o Brasil e as empresas de bebidas e alimentos, ''irá destruir 80 fábricas de açúcar e mais de 150 mil empregos diretos e indiretos''.
Para o presidente da Câmara de Agricultura de Maurício e da Associação dos produtores de cana-de-açúcar do país, Christian Foo Kune, ''a reforma deveria melhorar as vidas das pessoas, mas o que a Comissão Européia propôs vai simplesmente nos destruir''.
Em abril deste ano, a OMC considerou ilegal o sistema de subsídios que garantia preços acima do mercado para os produtores europeus de açúcar. Atualmente o bloco europeu tem estabelecido um preço mínimo de compra do produto. A proposta da UE prevê a redução de 39% desse preço mínimo, o que pode vir a desestimular os produtores locais e elevar as importações do produto de regiões mais competitivas.
O preço mínimo estabelecido pela UE é quatro vezes superior ao cobrado no mercado mundial e se sustenta apenas devido a uma política restritiva de importações por meio de sobretaxas. Mesmo com o corte de 39% nos preços proposto, o preço do açúcar na UE continuará bastante acima do cobrado no mercado mundial.

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