Curitiba - Cerca de 30 produtores rurais de Contenda e da Lapa, na Região Metropolitana de Curitiba, realizaram ontem manifestação para protestar contra uma suposta intransigência do Banco do Brasil (BB). Eles foram notificados pela Justiça por dívidas que teriam junto ao BB, relativas a empréstimos para custeio de produção feitos entre 1995 e 1998. Os manifestantes ficaram em frente à agência do BB em Contenda durante todo o dia e parte deles prometia permanecer no local à noite.
Por determinação judicial, está marcado para hoje pela manhã o leilão de um terreno de 5,26 alqueires e de um trator pertencentes a Félix Wojcik, produtor de milho, feijão, cebola e outras culturas em Contenda. Os bens foram avaliados judicialmente em R$ 89 mil. O leilão será realizado no Fórum da Lapa, onde deve haver outra manifestação dos produtores. ''Peguei R$ 20 mil de empréstimo em 95. Hoje, o pessoal do BB diz que devo R$ 153 mil. O terreno e o trator são os únicos bens que tenho. Se perdê-los, fico na rua. Não tenho como pagar o que eles dizem que eu devo. Tento negociar, mas não aceitam nenhuma proposta'', reclamou o produtor.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Contenda, Miguel Treziak, disse ontem que Wojcik é o primeiro produtor da região a ter bens colocados em leilão para pagamento de dívidas junto ao BB. ''Outras intimações estão para sair. Os produtores não têm como pagar as dívidas. Além dos valores serem altos, temos o problema da estiagem. Na Lapa, foi decretado estado de emergência devido à seca'', afirmou ele.
Treziak relatou que o valor médio das dívidas de cada produtor é de R$ 30 mil, mas alguns devem bem mais. ''Tem um que está devendo R$ 202 mil'', disse o sindicalista. ''Após uma resolução do Banco Central, em 1997, que prorrogou os prazos para pagamento de dívida de quem fez empréstimos até junho de 95, alguns produtores de Contenda e da Lapa conseguiram encontrar formas de pagar os débitos. Outros não tiveram a mesma sorte e foram acionados judicialmente.''
O superintendente do BB no Paraná, Edemar Mombach, citou que a partir de 1996 o governo federal realizou dois grandes programas de refinanciamento de dívidas de produtores rurais. ''Mais de 90% dos agricultores brasileiros fizeram a renegociação'', disse ele. ''Estamos sempre abertos ao diálogo. Só recorremos à via judicial quando o produtor não demonstra interesse em negociar, o que parece ser o caso (dos produtores de Contenda e da Lapa). Mas se for apresentada proposta até uma hora antes do leilão, podemos conversar.''
O governador em exercício, Orlando Pessuti, comentou ontem que o problema dos produtores com dívidas impagáveis junto ao BB precisa de uma solução urgente. ''A situação deles (agricultores) é dramática. Só depende da boa vontade dos agentes financeiros'', afirmou.
Pessuti usou como exemplo de renegociação a dívida dos agricultores com o antigo programa Panela Cheia. ''Na semana que vem, vamos resolver todos os casos pendentes do antigo Panela Cheia. As dívidas serão solucionadas com renegociações. Não adianta executar e penhorar os bens dos agricultores, que precisam produzir para comer e gerar divisas para o Brasil'', ponderou. (Colaborou Luciana Pombo)

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