O pacote de ajuda à agricultura proposto pelo governo federal frustou os produtores rurais da Região Norte do Estado. O anúncio foi classificado como um ''embrulho'', que não irá amenizar a crise do campo. Uma reunião, marcada para hoje de manhã, deverá definir as novas estratégias do movimento. Mesmo que as manifestações cessem, os produtores rurais não descartam ações como a redução da área de plantio ou a suspensão total do plantio por um ano. Com a falta de produtos no mercado, eles acreditam que a agricultura terá mais atenção do governo.
No início da tarde de ontem, os produtores rurais bloquearam a BR-369, em frente ao Parque de Exposições Ney Braga. Só eram liberados ambulâncias e carros de passeio com pessoas doentes. A Polícia Rodoviária desviou o trânsito pelo Jardim Silvino (no sentido Londrina-Cambé) e para a PR-445 (no sentido Cambé-Londrina), que ficou bastante lento. A rodovia foi bloqueada porque os agricultores ficaram irritados com a prorrogação do horário do anúncio por três vezes. O trânsito foi liberado às 17 horas, quando os agricultores foram até o Sindicato Rural de Londrina acompanhar a transmissão do anúncio.
''O pacote não foi satisfatório, mas iremos avaliar a repercussão nacional porque foram medidas diferentes para as regiões. Se o Brasil não continuar unido, o impacto da manifestação será menor; mas se todos continuarem juntos, o movimento vai voltar na segunda-feira mais forte do que nunca'', afirmou um produtor rural de Cambé (13 km a oeste de Londrina), que preferiu não se identificar. Mas ele manteve a afirmação de que a partir de segunda-feira as pessoas devem evitar viagens e até transitar por estradas secundárias. ''É grande o risco de ficarem presos nos bloqueios'', disse.
''Esse pacote dá mais corda para que a gente se enforque, não mexeu em dívidas antigas. Eles querem garantir mais uma safra nas nossas costas'', afirmou o produtor Odair Favali. O economista Ismael Mologni, que também acompanhou a transmissão, disse que as medidas ''tiram do sufoco'' somente quem tem dívidas com o governo. ''Já os recursos livres, como a redução das taxas e os débitos com fornecedores, não terão dinheiro'', explicou. ''O pacote não resolve nada, não adianta e eles também não estabeleceram um preço mínimo. Foi decepcionante'', comentou o produtor rural Roberto Amaral, de Prado Ferreira (53 km ao norte de Londrina).
Já o produtor Ademir Pirani, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), também disse estar bastante decepcionado. ''Acho que se eu ficar com o chapéu em algum ponto vou arrecadar mais do que com esse incentivo do governo à agricultura. Simplesmente não sei o que fazer'', observou. O agricultor Moacir Canônico explicou que os produtores terão uma sobrecarga de pagamentos a partir do próximo ano, quando também vence a prorrogação das dívidas de 2005, 2006, além dos investimentos com custeio da safra. ''Foi muito fraco, não atendeu as expectativas dos produtores, precisaríamos de, pelo menos, dois anos de carência'', disse.

mockup