Agricultores perdem R$ 125 mi
Os triticultores serão os grandes prejudicados com a quebra na safra de trigo, quando este ano, com a escassez do grão em outros países e com o preço balizado pelo mercado internacional, poderiam ter boa margem de ganho. A avaliação é de Flávio Turra, técnico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Ele calcula que os produtores deixarão de receber US$ 125 milhões, pois perderão praticamente tudo o que investiram no cultivo, já que a maioria das plantações estava em final de ciclo.
Como consequência, a economia regional também acaba perdendo, pois com a descapitalização dos produtores haverá menos dinheiro em circulação. As cooperativas, lembrou Turra, também são afetadas pela quebra da safra, deixando de movimentar o produto. ''O País vai ter que importar mais US$ 125 milhões para repor as 780 toneladas que vai deixar de produzir. Esse volume representa quase um mês de consumo'', complementou Turra.
O vice-presidente da Associação de Moageiros de Trigo do Paraná, Mário Venturelli, garante que não há risco de desabastecimento. Segundo ele, a quebra de safra não vai influenciar diretamente no preço do produto. A variação vai continuar dependendo do comportamento da taxa cambial.
Venturelli afirmou que os moinhos vão se abastecer preferencialmente do trigo nacional. No entanto, com a redução do trigo no País (o Paraná responde por 60% da produção nacional) a indústria terá que, mais cedo, buscar o produto no mercado externo. A primeira opção é a Argentina. O produto argentino está livre da cobrança da Taxa Externa Comum (TEC), que incide sobre o grão importado de outros países.
Outra alternativa dos moinhos é procurar o trigo em mercados onde o produto é mais barato como é o caso da Rússia, Polônia e Tchecoslováquia. Venturelli nega que haja escassez de trigo no mercado internacional. Segundo ele, a previsão é que a safra mundial alcance 572,5 milhões de toneladas, quando o normal é em média 560 milhões de toneladas.(A.L)





