Agricultores pedem socorro ao governo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de março de 2006
Renato Stancato e Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
São Paulo - Os produtores de grãos estão pedindo socorro ao governo. Prensados por uma forte perda na rentabilidade de suas culturas, os agricultores estão se articulando nas diversas regiões do País para reivindicar ao governo a prorrogação das dívidas de investimento que vencem neste ano e pedir a liberação de uma linha de emergência para apoiar a comercialização da safra 2005/06.
''Sou produtor há 20 anos e esta é a pior crise que já vi'', afirma Rui Prado, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja). ''Ela começou no fim de 2004 e não enxergo perspectivas de que acabe no fim deste ano.''
Os agricultores encaminharam ao Ministério da Agricultura uma radiografia dos problemas do setor. O trabalho, compilado pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), mostra que as lavouras de soja, milho e trigo sofreram uma forte deterioração nos termos de troca. Em outras palavras, é preciso produzir mais soja, milho e trigo para conseguir comprar a mesma quantidade de maquinário ou de insumos.
Segundo o estudo da Ocepar, a maior cota de responsabilidade pelas agruras do setor se deve à valorização do real. O trabalho mostra que o dólar comercial em janeiro ficou 19% abaixo do registrado na média nominal entre janeiro de 2003 e dezembro de 2005. Como a desvalorização vem ocorrendo sistematicamente, esta já é a segunda safra seguida em que os agricultores compram insumos dolarizados a valores mais altos em reais do que os registrados no momento da comercialização.
O dólar mais baixo significa preços agrícolas de produtos de exportação mais baixos também. Assim, ocorreu uma deterioração no poder de compra de tratores pelos produtores de soja. Em 2003, eram necessárias 2.962 sacas de soja no Paraná para comprar um trator. Em 2004, já eram necessárias 3.554 sacas, e em 2005, o número necessário era de 4.946 sacas.
A relação entre a soja e os insumos necessários para sua produção também se alterou para pior. Em 2003, eram necessárias 2,76 sacas de soja para se comprar um litro de fungicida. O número, contudo, já havia saltado para 4,13 sacas por litro em 2005.
O cenário também se deteriorou para o trigo e para o milho. Em 2003, eram necessárias 29,17 sacas do cereal para compra de uma tonelada de fertilizantes. Em 2005, o número passou a ser de 43,11 sacas por tonelada. No caso do milho, eram necessárias 50,73 sacas para a compra de uma tonelada de uréia, seu principal fertilizante. O número havia saltado para 65,1 sacas em 2005.


