Centenas de agricultores do Norte do Paraná se reuniram ontem em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), paralisaram o Centro da cidade, protocolaram um pedido de prorrogação da dívida em uma agência do Banco do Brasil e fecharam um cruzamento da linha férrea que corta o munícipio.
  A mobilização no Norte do Paraná começou por volta das 8 horas e contou com a participação de agricultores de Rolândia, Cambé, Arapongas e Sertanópolis. Entre as reivindicações dos agricultores estão alongamento das dívidas de financiamento, implantação de seguro rural, mudança na política cambial e garantia de preço mínimo para a soja, milho e trigo.
  Parte dos problemas enfrentados pelo setor foi desencadeado pela quebra de safra devido às estiagens. Só na última safra, a perda de produção na região foi perto de 50%. Segundo os agricultores essa é a pior crise que o setor enfrenta desde 1988, quando houve também, entre outros entraves, problemas com a taxa cambial.
  ‘‘Queremos um preço justo para o nosso produto. Atualmente estamos produzindo com prejuízo, a gente não consegue pagar o que deve e não temos recebido ajuda do governo’’, disse o presidente do Sindicato Rural de Rolândia, Nikolaus Schauff. Segundo ele, a saca do milho que antes era vendida por no mínimo R$ 14, hoje chega a R$ 11. ‘‘O custo de produção está alto, pagamos caro pelos insumos - geralmente em dólar - e na hora de vender não conseguimos o preço justo, pois temos que vender em real mesmo. Estamos a cada dia mais endividados’’, reiterou o agricultor Vilson Ferreira Barros, de Cambé.
  Com faixas nas mãos que demonstravam a indignação do setor e à bordo de tratores e caminhões, os agricultores paralisaram a região central de Rolândia. Após o discurso de representantes de entidades de classe, que foram unânimes em criticar a falta de apoio dos governantes, os manifestantes seguiram em carreata até a agência do Banco do Brasil, onde protocolaram um pedido de prorrogação da dívida. ‘‘Não somos caloteiros, queremos pagar, mas precisamos de um prazo melhor de pagamento’’, reforçou o agricultor Moacir Canonico, que representou todos os produtores rurais ao entregar o pedido ao banco.
  
Paliativas - Para o agricultor Irineu Sella, de Rolândia, as medidas tomadas recentemente pelo Governo Federal de renegociar a dívida dos produtores rurais foram paliativas. ‘‘Já temos uma dívida passada, a securização - parcelamento - do Governo FHC, que ainda estamos pagando. Precisamos de um prazo maior para essa nova dívida, talvez um parcelamento em 15 anos e com juros subsidiados’’, pontuou Sella. Conforme o gerente da agência do BB em Rolândia, Wilson Almeida Nascimento, o pedido dos agricultores será encaminhado à superintendência do banco em Curitiba para ser analisada.
  Depois de protocolarem o pedido no banco, os manifestantes seguiram para um dos cruzamentos da linha férrea da cidade, na altura das avenidas Barão do Rio Branco e Getúlio Vargas. Dezenas de tratores bloquearam a ferrovia. Conforme os organizadores do protesto, as máquinas só seriam retirados mediante a apresentação de um mandado judicial. A reportagem entrou em contato com a América Latina Logística (ALL) mas até o fechamento da edição não recebeu resposta.

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