Agricultores não utilizam recursos do preço mínimo
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segunda-feira, 12 de junho de 2006
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os produtores rurais do Paraná não tiveram necessidade de utilizar os recursos que foram destinados para segurar o preço mínimo de alguns produtos agrícolas em maio porque os preços reagiram. Dos R$ 408 milhões que o governo federal liberou no início de maio para aquisição de produtos agrícolas com o objetivo de garantir o preço mínimo, R$ 23 milhões foram para o Paraná.
''Não houve procura desse recurso por parte do produtor porque o preço de mercado reagiu em função das contratações do Prêmio de Escoamento da Produção (PEP)'', disse o superintendente regional do Paraná da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab-PR), Dionizio Bernardino Bach. Neste sistema, o governo oferece um prêmio pelo escoamento do produto, ou seja, paga uma subvenção para que empresas ou cooperativas remunerem o produtor com o preço mínimo. Segundo ele, o preço do milho que estava em R$ 10,50 em março foi para R$ 14 para a saca de 60 quilos e atingiu o preço mínimo.
O Paraná tem R$ 16 milhões disponibilizados para junho para garantir o preço mínimo em milho, feijão, arroz, farinha de mandioca e algodão. No sistema de Aquisição do Governo Federal (AGF), o governo compra o produto do agricultor ou através de cooperativas e paga o preço mínimo.
Para o milho o preço mínimo é de R$ 14 a saca de 60 quilos, para o feijão de R$ 47 a saca de 60 quilos, para a farinha de mandioca de R$ 15 a saca de 50 quilos, para o algodão R$ 3 o quilo e para o arroz R$ 26,60 a saca de 60 quilos.
De acordo com ele, o feijão já atingiu um preço médio no Paraná de R$ 50, o algodão está próximo de R$ 45, o arroz está em R$ 28 e a farinha de mandioca em R$ 18. Como a safrinha de milho entra em junho, pode haver queda de preço com o aumento da demanda. A colheita vai do produto vai até setembro.
Bach disse que os protestos dos agricultores estão muito mais voltados para a prorrogação das dívidas e redução de juros do que para o preço mínimo. Para ele, como a atividade agrícola não está dando lucratividade, o produtor não tem margem de lucro.
Ele lembrou que o câmbio defasado também prejudicou o setor. Na safra passada, os agricultores plantaram com um dólar cotado em R$ 2,50 e venderam com o câmbio em R$ 2,30. E ainda tiveram um custo de produção elevado. Bach considera positivo os agricultores não utilizarem os recursos do preço mínimo. ''Isso mostra que o mercado está absorvendo os custos e pagando um preço um pouco maior para o produtor'', justifica.


