Agricultores não deixam área desapropriada
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terça-feira, 29 de outubro de 2002
Mônica Kaseker<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Três proprietários se recusam a sair das terras desapropriadas pela Petrobras em São Mateus do Sul (91 km a nordeste de União da Vitória), mesmo sendo multados em R$ 500,00 por dia desde agosto, por decisão judicial. O entrave deverá atrasar as novas instalações da Usina de Xisto da Petrobras e comprometer a exploração do minério nos próximos meses.
De acordo com a advogada contratada pela estatal, Eliane Fernanda Pinto de Oliveira, a área que está sendo explorada atualmente tem minério para apenas cinco meses de trabalho e as novas instalações vão demorar pelo menos seis meses para ficar prontas. Com a paralisação da usina, 12 mil toneladas de xisto deixariam de ser extraídas por dia.
As 72 propriedades desapropriadas equivalem a 567 hectares e têm minério suficiente para os próximos quatro anos de trabalho da Usina de São Mateus do Sul. Deste total, 50 proprietários fizeram acordos amigáveis depois de dois anos de negociações e outros 22 processos foram para a desapropriação judicial em dezembro do ano passado.
A primeira imissão na posse foi concedida pela juíza Inês Marchalek Zarpelon ainda em dezembro do ano passado. Como as famílias se recusaram a sair, a juíza determinou a cobrança de multa diária em agosto deste ano, depois de dar prazo de mais alguns dias para que elas saíssem do local. Depois disso, apenas três proprietários insistiram em ficar na área.
A Folha apurou que um dos proprietários é o agricultor Anísio Michelski, que mora na região há sete anos. A propriedade dele tem 14 alqueires e ele diz que chegou a ter rendimento anual de R$ 10 mil por alqueire, plantando feijão e arrendando uma parte da área. ``Pelo valor que eles estão oferecendo, eu não saio. A não ser que eles encontrem terra para eu trabalhar``, diz. Segundo ele, a única área que o agradou até agora não foi liberada para cultivo pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por ter mata de araucárias.


