Agricultores já falam em plantar 50% menos
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quinta-feira, 30 de junho de 2005
Agência Estado 
Brasília - O impasse nas negociações entre governo e produtores rurais levou lideranças do movimento e os participantes do tratoraço a definirem três estratégias para os próximos meses. Eles afirmaram que plantarão 50% a menos do que em 2004. ''Com o preço atual dos grãos, o produtor vai ter que pagar; não plantar é a solução'', disse Homero Pereira, da Federação do Mato Grosso, organizador do tratoraço. ''O governo cruza os braços pra gente, nós também.''
Nas cidades onde estão sediadas as fazendas, os presidentes das federações recomendaram usar os tratores para bloquear as agências do Banco do Brasil. Na frente legislativa, a bancada ruralista se comprometeu a trancar a pauta de votações enquanto o governo não ceder nas reivindicações. Ontem, o deputado federal Ronaldo Caiado (GO) já ameaçava impedir a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
No fim da tarde de ontem, os manifestantes começaram se dispersar. O fim do tratoraço estava previsto para as 21h. Seria o fim de um protesto que praticamente sitiou o centro nervoso da capital federal por três dias, para irritação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Efeitos na economia - A crise na agricultura, que levou à Brasília 40 mil produtores para o tratoraço na Esplanada dos Ministérios, mereceu um capítulo específico no Relatório de Inflação divulgado ontem pelo Banco Central. O documento lista três efeitos dela sobre a economia. Em primeiro lugar, diz os agricultores perderão renda e, com isso, haverá menos consumo, com reflexos na atividade econômica. Diz, ainda, que poderá haver efeitos sobre a inflação nos preços dos alimentos e, finalmente, analisa os riscos de redução nas exportações.
De acordo com o relatório, os efeitos da quebra da safra sobre o consumo já podem ser vistos nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pelos quais a queda nas vendas é mais forte nos Estados cuja economia depende da agricultura do que na média do País. Além disso, afirma o relatório, há indícios que o comércio de máquinas e equipamentos agrícolas, além de fertilizantes, terão queda em 2005. Isso deverá afetar a produtividade no campo na próxima safra.
Para a inflação, os efeitos são menos dramáticos, segundo avalia o Relatório. As culturas do arroz e do feijão, que pesam mais nos índices de preços, não foram fortemente afetadas pela seca. Produtos mais prejudicados, como soja e milho, têm preços cotados internacionalmente.
O câmbio baixo, de certa forma ''amorteceu'' a tendência de elevação desses preços. Os efeitos, portanto, tendem a ser ''pequenos''. A balança comercial, diz o relatório, registra perdas expressivas nas vendas de alguns produtos. O milho, por exemplo, caiu 62,5% no período de janeiro a maio de 2005, em comparação com igual período do ano passado. Já os produtos do complexo soja (farelo, óleo, soja triturada e outros) apresenta aumento de 11,9% no mesmo período de comparação.
Segundo dados divulgados ontem pelo IBGE sobre o Produto Interno Bruto brasileiro, a agricultura foi o único setor que registrou crescimento no prímeiro trimestre do ano comparado ao mesmo período de 2004. O setor industrial teve queda de 1% e o de serviços redução de 0,2%. Ainda na comparação com o último trimestre de 2004, com ajuste sazonal, a agricultura registrou crescimento: 2,6%.


