Lavantamento da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina constatou que 80% dos agricultures familiares do município não têm acesso ao crédito para custeio das lavouras. ''E o pouco recurso que chega vem fora da época do plantio'', afirmou Paulo Gonçalves da Silva, diretor de abastecimento da secretaria.
Para amenizar a dificuldade, 24 pequenos produtores se reuniram e criaram, no município, a Cooperativa de Crédito Rural com Interação Solidária (Cresol). A assembléia de constituição foi realizada sábado, no distrito de São Luiz (zona sul), com presença de mais de 100 agricultores. ''O objetivo é democratizar o acesso ao crédito'', disse Silva.
Toda a documentação da primeira assembléia será enviada ao Banco Central (BC), que deve aprovar a nova instituição e autorizar seu funcionamento. A resposta do BC chegará em 120 dias. Após esse período, a Cresol estará apta a captar recursos junto ao Pronaf, ao BNDES e ao BRDES, além de investimentos dos próprios cooperados. Cada sócio-fundador vai investir R$ 150,00 na cooperativa, que tem a pretensão de reunir 500 sócios até 2007.
O sistema Cresol congrega 30 mil associados em 70 cooperativas nos três estados do Sul do País. No Paraná, são 30 grupos constituídos. De acordo com Osmar Mazieiro, presidente da Cresol de Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), a diferença do sistema com relação a outras instituições financeiras é que são os próprios cooperados que gerenciam os recursos, aprovam os empréstimos e avalizam a transação. ''Não tem fins lucrativos'', esclareceu. No munícipio, a cooperativa já reúne 430 associados.
Os juros praticados sobre recursos captados junto às linhas de crédito do governo federal são os definidos pelos programas. No caso de financiamentos com recursos da cooperativa, as taxas são menores. ''Além disso, nossa poupança paga juros maiores que os do mercado.'' Como o funcionamento da instituição depende da solidariedade entre os parceiros, a inadimplência é próxima a zero.
José Cândido Rosa, produtor de hortifrutis na Usina Três Bocas e vice-presidente da Cresol de Londrina, acredita que a demanda inicial será de pelo menos R$ 2 mil por produtor. ''Tem muito agricultor que deixa de plantar por falta de recurso para custear a lavoura'', comentou. A maioria dos sócios fundadores é produtor de frutas, verduras e legumes. Segundo Rosa, a Associação dos Horticultores do Norte do Paraná (Apronor)já ofereceu espaço, no Ceasa, para os cooperados da Cresol comercializaram sua produção.

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