Agricultores fecham ferrovia em Maringá
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segunda-feira, 08 de maio de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A crise enfrentada pelos produtores rurais levou agricultores do noroeste do Estado a fechar parte da linha férrea, na altura da Avenida Teixeira Mendes, em Maringá. O protesto, que teve início no domingo, impediu o embarque e desembarque de terminais de empresas de agronegócio e da própria administradora das ferrovias, a América Latina Logística (ALL).
Produtores de Marialva (17 km a leste de Maringá) também aderiram à manifestação e bloquearam a linha férrea que corta a cidade. O protesto tem por objetivo chamar a atenção para os problemas enfrentados pelos agricultores. Entre as reinvidicações estão alongamento das dívidas de financiamento; implantação do seguro rural; mudanças na política cambial; e garantia de preço mínimo para a soja e o milho. Prorrogar as dívidas por um ano não resolve. Se permanecer como está no ano que vem estaremos fazendo protesto de novo, disse o agricultor Antônio de Souza Gomes, vice-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Maringá.
A ALL impetrou pedido de reintegração de posse da área. A juíza Lieje Aparecida de Souza Gouvêa Bonetti, da 2ªVara Cível, deferiu o pedido, em caráter liminar, e determinou que os agricultores desobstruíssem o local. Em nota distribuída à imprensa, a ALL afirma que irá responsabilizar civil e criminalmente todos os envolvidos.
Os produtores bloquearam também o complexo industrial da Cooperativa Agropecuária Maringá (Cocamar). Os portões do local ficaram fechadas desde às 12 horas de domingo. A Cocamar não fala em prejuízos porque a cooperativa é dos produtores rurais que estão participando do movimento. Nós nos solidarizamos com os produtores que precisam chamar atenção para a situação grave que eles estão enfrentando, afirmou José Cícero Aderaldo, gerente comercial de grãos da Cocamar. Segundo ele, a maioria dos agricultores está endividado com os bancos.
Contrato A América Latina Logística (ALL) assina hoje o contrato de compra das três concessões ferroviárias que integram a Brasil Ferrovias. Com isso, será formada a maior ferrovia da América Latina, com 21 km de extensão e abrangência sobre as regiões Centro-Oeste, Sudeste, Sul e parte da Argentina. A informação foi confirmada ontem pela assessoria de imprensa dos acionistas da Brasil Ferrovias grupo que tem no comando o BNDES, Previ e Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal). A assinatura do contrato acontece na sede do BNDES no Rio de Janeiro. (Colaborou Andréia Bertoldi)


