Agricultores familiares cobram Fundo de Aval
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segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Centenas de agricultores familiares promovem hoje uma passeata em Curitiba para cobrar do governo estadual a concretização do Fundo Público de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Fundaf). O governador Jaime Lerner assumiu o compromisso, em maio desse ano, que criaria o Fundo de Aval, mas até agora não foi enviada nenhuma mensagem nesse sentido para a Assembléia Legislativa, afirmou Sergio Gutierrez, assessor econômico da Fetaep que está organizando a passeata.
Em consequência da falta do Fundo de Aval, há três anos que os agricultores familiares do Paraná não estão conseguindo acessar créditos para investimentos. O dinheiro para essa linha de crédito é equalizado todo ano pelo governo federal, mas o Banco do Brasil acaba devolvendo a quantia liberada ao Paraná porque não tem para quem emprestar, diz Gutierrez. O banco exige garantias reais para aprovar o financiamento. Lerner teria garantido a alocação no valor de R$ 1 milhão, com recursos do Estado.
Para se ter uma idéia, esse ano o governo federal equalizou recursos no valor de R$ 544 milhões para serem emprestados em todo o País. A partir dessa equalização, os agricultores familiares podem pedir recursos para investimentos no valor de R$ 3 mil a R$ 4 mil, com juros fixos de 3% ao ano. Para quitar o empréstimo, o agricultor familiar tem um prazo de oito anos, sendo três anos de carência. Além disso, ainda tem direito a um rebate de R$ 700,00 no valor do financiamento para os pagamentos em dia.
Conforme estimativa da Fetaep, deixaram de entrar no Paraná nos últimos três anos, cerca de R$ 150 milhões que já poderiam estar financiamento investimentos na pequena propriedade.
Gutierrez lamenta que esses recursos continuam nos cofres do governo. Argumenta que o governo estadual não teria perdas em alocar R$ 1 milhão para o Fundo de Aval, já que a taxa de inadimplência da Agricultura Familiar no Paraná está em 0,3% nos financiamentos de custeio, a mais baixa do País.


