A Federação da Agricultura do Paraná (Faep) reúne na próxima segunda-feira os presidentes de 187 sindicatos rurais, dez comissões técnicas e uma comissão especial para analisar as medidas anunciadas pelo governo federal para amenizar a crise da agricultura. ''A partir deste reunião vamos verificar se vale a pena voltar para as estradas ou se tem que haver uma decisão política'', disse o assessor econômico da entidade, Carlos Augusto Albuquerque.
Enquanto isso, uma reunião marcada para hoje de manhã, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina), deve definir os novos rumos da manifestação organizada pelos produtores rurais. O anúncio do pacote de ajuda à agricultura, feito na quinta-feira pelo governo federal, frustou os agricultores e, por isso, novos protestos poderão ser realizados já a partir desta segunda-feira na Região Norte do Estado. As manifestações estão ocorrendo em todo o Paraná há mais de duas semanas.
Neste final de semana, pelo menos, os produtores rurais prometem uma trégua com a suspensão dos protestos. ''Acreditamos que deveremos tomar uma postura mais agressiva perante o governo, com medidas não destrutivas, mas que afetem diretamente o governo. Parar rodovia não está resolvendo'', disse o produtor rural Edenilson Larini, de Cambé (13 km a oeste de Londrina). De uma maneira geral, os agricultores não ficaram satisfeitos com as medidas anunciadas pelo governo.
Além disso, também poderá ser realizada uma marcha até Brasília na próxima semana. Ontem à tarde os produtores rurais realizaram uma reunião na sede do Sindicato Rural de Londrina. ''Foram sugeridas várias idéias, mas não saiu nada de definitivo porque iremos aguardar a reunião de segunda-feira, organizada pela Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná)'', informou o presidente do sindicato Luiz Fernando Kalinowski.
Segundo ele, o ''pacote'' do governo não irá resolver ''praticamente nada''. ''O governo demonstrou muita preocupação com a próxima safra, mas os agricultores já estão muito endividados e, provavelmente, não terão acesso aos recursos'', disse. Kalinowski afirmou ainda que ''é bem provável'' que os agricultores reduzam a área plantada e que também deverá ter queda de produtividade, devido à falta de recursos para para compra de insumos.
Bloqueios - Já os produtores rurais dos municípios de Bandeirantes e Santa Mariana (região de Cornélio Procópio) mantiveram ontem as manifestações. No primeiro, foram bloqueadas as seis agências bancárias, a Prefeitura e o comércio fecharam. Já no segundo, a rodovia, no trevo de acesso à entrada da cidade, foi bloqueada e o trânsito liberado a cada meia hora. Os protestos são reflexo do pacote de ajuda à agricultura, anunciado ontem pelo governo federal, que deixou os agricultores descontentes.
''Os produtores não ficaram nada contentes porque não vai resolver o nosso problema, mas estamos com medo de que o movimento nacional esfrie'', disse o agropecuarista Renato Rosa Domingues, de Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio). Em Bandeirantes, haverá uma nova reunião de avaliação do movimento na terça-feira, às 19 horas. O encontro será em frente à sede do Sindicato Rural.
Em Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio) a manifestação foi retomada ontem, depois de um período de espera pelo anúncio do governo federal. A rodovia ficou bloqueada até às 17 horas. Hoje de manhã, os agricultores se reúnem novamente para traçar novas estratégias para o protesto. ''O pacote não agradou ninguém'', observou o produtor rural Rodrigo Bassi.
Ontem, os bloqueios de rodovias aconteceram em menor intensidade, mas ainda assim, a Polícia Rodoviária Estadual, registrou 13 trechos de rodovias interditadas. As manifestações ocorreram em Cornélio Procópio (BR-369, Km 70), Andirá (PR-517 Km 102), Palotina (PR-182, Km 253), Assis (PR-486, Km 555), Ubiratã (BR-369 Km 424, Guaíra (PR-323 Km 362), BR-376 Km 169, PR-317 KM 165, PR-554 Trevo São Jorge do Ivaí, PR-317 Km 50, PR-218 Km 300, PR-218 Km 273 e BR-466 Km 183. Em Palotina, os manifestantes bloquearam uma agência do Banco do Brasil durante toda a manhã de ontem e só liberaram o funcionamento a partir das 14h30. A América Latina Logística (ALL) informou que não aconteceram protestos em ferrovias ontem.

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